Rússia diz que tropas estrangeiras na Ucrânia serão "alvos legítimos"
Declaração ocorre após Reino Unido e França anunciarem planos de enviar uma força multinacional ao país em caso de cessar-fogo

A Rússia declarou nesta quinta-feira (8) que quaisquer tropas enviadas à Ucrânia por governos ocidentais seriam "alvos legítimos de combate", após o Reino Unido e a França anunciarem planos para enviar uma força multinacional ao país em caso de cessar-fogo.
Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que as "declarações militaristas" de uma coalizão de governos ocidentais pró-Ucrânia estão se tornando cada vez mais perigosas.
Moscou respondeu pela primeira vez a uma reunião da "coalizão dos dispostos" realizada em Paris na terça-feira (6), na qual o Reino Unido e a França assinaram uma declaração de intenções sobre o futuro envio de tropas.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que isso poderia envolver o envio de milhares de soldados franceses.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que a medida abre caminho para um arcabouço legal que permita que "forças britânicas, francesas e de países parceiros operem em território ucraniano, garantindo a segurança do espaço aéreo e marítimo da Ucrânia e regenerando as forças armadas ucranianas para o futuro".
A Rússia "alerta que o destacamento de unidades militares ocidentais, instalações militares, depósitos e outras infraestruturas em território ucraniano será classificado como intervenção estrangeira, representando uma ameaça direta à segurança não só da Rússia, mas também de outros países europeus", afirmou o comunicado de Moscou.
"Todas essas unidades e instalações serão consideradas alvos legítimos de combate das Forças Armadas Russas."
O comunicado acrescentou: "As recentes declarações militaristas da chamada coligação dos dispostos e do regime de Kiev constituem um verdadeiro 'eixo de guerra'.
"Os planos destes participantes estão se tornando cada vez mais perigosos e destrutivos para o futuro do continente europeu e dos seus habitantes, que também estão sendo forçados pelos políticos ocidentais a financiar estas aspirações com os seus próprios recursos."
Impasses para acabar com a guerra
A Rússia, que lançou uma invasão em grande escala à Ucrânia em fevereiro de 2022, afirma ter sido forçada a intervir para impedir que a Ucrânia fosse absorvida pela NATO e usada como plataforma de lançamento para ameaçar a Rússia.
Tem afirmado consistentemente que nunca aceitará o estacionamento de forças ocidentais no país.
A Ucrânia e seus aliados acusam Moscou de travar uma guerra de estilo imperial com o objetivo de tomar o território de seu vizinho, do qual detém atualmente quase 20%. Eles afirmam que a Kiev precisa de firmes garantias de segurança como parte de qualquer acordo de paz para evitar outra invasão russa no futuro.
Os Estados Unidos descartaram mandar tropas próprias para a Ucrânia, mas seu enviado especial, Steve Witkoff, afirmou na reunião de terça-feira em Paris que o presidente Donald Trump "apoia firmemente" os protocolos de segurança destinados a dissuadir futuros ataques à Ucrânia.


