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    Rússia diz que uma terceira guerra mundial seria nuclear e destrutiva

    Ministro de Relações Exteriores russo disse que país enfrentaria um "perigo real" se Kiev adquirisse armas nucleares

    Submarino russo de mísseis balísticos movido a energia nuclear em primeiro teste no mar no Mar Branco, em abril de 2021
    Submarino russo de mísseis balísticos movido a energia nuclear em primeiro teste no mar no Mar Branco, em abril de 2021 Oleg Kuleshov/TASS

    Reuters

    Moscou

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    O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse nesta quarta-feira (2) que, caso aconteça uma terceira guerra mundial, armas nucleares seriam usadas e seriam destrutivas, de acordo com a agência de notícias RIA. Lavrov disse que a Rússia, que lançou uma operação militar especial contra a Ucrânia na semana passada, enfrentaria um “perigo real” se Kiev adquirisse armas nucleares.

    Na terça-feira (1º), a  Rússia exigiu que os Estados Unidos retirem suas armas nucleares de países da Europa. De acordo com a RIA, Lavrov disse que “já é hora das armas americanas voltarem para casa”. “É inaceitável para a Rússia que alguns países europeus sediem armas nucleares americanas”, acrescentou.

    Ele também disse que o país está pronto para trabalhar com os EUA em uma “estabilidade estratégica”. Em discurso gravado exibido na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, na Suíça, o chanceler da Rússia declarou que o Ocidente não deve construir instalações militares em ex-repúblicas soviéticas.

    Possíveis negociações

    O Kremlin disse que as autoridades russas estão prontas para realizar uma segunda rodada de negociações com a Ucrânia nesta quarta-feira, mas não está claro se as autoridades ucranianas aparecerão. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que havia informações contraditórias sobre as negociações.

    O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na terça-feira (1º) que a Rússia devia parar o bombardeio de cidades ucranianas antes que as negociações pudessem ocorrer.

    “Primeiro podemos tentar prever se os negociadores ucranianos aparecerão ou não. Vamos torcer para que isso aconteça. Nossos [negociadores] estarão lá e prontos”, disse Peskov a repórteres.

    Peskov também disse que Moscou precisa formular uma resposta dura, ponderada e clara contra as medidas impostas aos países ocidentais para minar a economia russa.

    O porta-voz russo disse que a economia da Rússia está passando por um sério golpe, mas que é sólida e que o país tem experiência em superar crises. O primeiro encontro, na segunda-feira (28), foi encerrado sem acordo sobre um possível cessar-fogo para a guerra, que já persiste há sete dias.

    O assessor presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, informou a repórteres após a primeira reunião que os representantes retornariam às suas respectivas capitais antes de uma segunda rodada de negociações.

    “As delegações ucranianas e russas realizaram a primeira rodada de negociações. Seu objetivo principal era discutir o cessar-fogo e o fim das ações de combate no território da Ucrânia”, disse Podolyak.

    “As partes determinaram os tópicos onde certas decisões foram mapeadas. Para que essas decisões sejam implementadas como um roteiro, as partes estão retornando para consultas às suas capitais”, acrescentou.

    “As partes discutiram a realização de mais uma rodada de negociações onde essas decisões podem ser desenvolvidas”, concluiu o assessor.

    Ataques em Kiev

    ataque a uma torre de televisão em Kiev, capital da Ucrânia, na terça provocou pelo menos cinco mortes. Fotos e vídeos do ataque à estrutura ucraniana postados em redes sociais foram geolocalizados e verificados pela CNN. A informação das mortes no local foi atribuído ao Serviço de Emergência do país.

    Mais cedo, os militares russos disseram que realizariam ataques contra instalações em Kiev, alertando os civis que vivem perto das áreas a saírem. Os alvos seriam a Agência de Segurança de Estado e o 72º Centro Principal para Informações e Operações Psicológicas em Kiev.

    Em uma entrevista exclusiva à CNN internacional e à Reuters, o presidente ucraniano pediu ao presidente norte-americano Joe Biden que dê uma mensagem forte e “útil” sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia em seu discurso sobre o Estado da União hoje. Zelensky concedeu a entrevista de um bunker em Kiev de onde ele está liderando a resposta de seus militares.

    “É muito sério […] não estou em um filme”, disse Zelensky, ex-ator de comédia, à CNN. “Não sou um ícone, acho que a Ucrânia é um ícone […] A Ucrânia é o coração da Europa, e agora acho que a Europa vê a Ucrânia como algo especial para este mundo. É por isso que o mundo não pode perder esse algo especial”.

    A entrevista do mandatário ucraniano acontece enquanto o exército russo avança rumo a Kiev no sexto dia de ataques ao país. Mais cedo, imagens de satélite mostraram um comboio russo com mais de 64 quilômetros de comprimento se aproximando da capital da Ucrânia.

    Durante a manhã, os militares russos ainda atacaram outras cidades como Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia, e Mariupol, uma cidade portuária no sul. De acordo com um alto funcionário da defesa dos EUA, entre o início da guerra na última quinta (24) e a manhã desta terça (1º), os Estados Unidos já registraram mais de 400 mísseis disparados pela Rússia contra a Ucrânia.

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