Rússia faz maior ataque de drones contra a Ucrânia desde início da guerra
Mais de 1.500 drones foram disparados em pouco mais de 24 horas, logo após o fim do cessar-fogo
A Rússia realizou seu maior ataque aéreo desde o início da guerra na Ucrânia, bombardeando a capital Kiev e outras cidades com centenas de drones. Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foram mais de 1.500 drones disparados em pouco mais de 24 horas na quinta-feira (14), configurando uma das ofensivas mais intensas do conflito.
O ataque ocorreu logo após o encerramento de um cessar-fogo de três dias, mediado pelos Estados Unidos para que a Rússia pudesse celebrar o aniversário da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial.
O analista internacional sênior da CNN Brasil, Américo Martins, que está atualmente em Lviv, na Ucrânia, analisou os desdobramentos do conflito.
Ataque como recado político
Para Américo Martins, a escalada não foi coincidência.
"Talvez não seja mera coincidência, talvez seja um recado, mais um recado do Kremlin para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e também para os Estados Unidos", afirmou o analista.
Segundo ele, o ataque ocorreu em momento particularmente simbólico: logo após a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, e imediatamente após o término do cessar-fogo.
Américo destacou ainda que Dmitry Peskov, porta-voz de Vladimir Putin, concedeu entrevista na manhã desta sexta-feira (15) informando que Putin iria à China para se inteirar diretamente com Xi Jinping sobre o que foi discutido com Trump, especialmente no que se refere à Ucrânia.
"Esses ataques estão relacionados a tudo isso", concluiu o analista.
Devastação em Kiev e desfile militar esvaziado
Um único ataque contra um prédio residencial em Kiev deixou 24 mortos e dezenas de feridos, tornando-se o maior ataque individual em número de mortos na capital ucraniana no ano corrente.
Américo também destacou que o desfile militar russo na Praça Vermelha, realizado no Dia da Vitória, foi considerado modesto: Vladimir Putin optou por não exibir blindados e outros veículos militares, temendo um eventual ataque ucraniano durante a celebração.
Situação no campo de batalha e perspectivas do conflito
Apesar da violência do ataque russo, o analista apontou sinais de fragilidade da Rússia no campo de batalha.
Segundo o Instituto sobre o Estudo da Guerra, no mês de abril os ucranianos recuperaram mais território ocupado pela Rússia do que a Rússia conseguiu avançar em solo ucraniano — a primeira vez em mais de dois anos que isso ocorreu.
Além disso, a Ucrânia tem ampliado sua capacidade de produção e uso de drones sofisticados, que chegam a atingir alvos a até 700 quilômetros de profundidade no território russo, incluindo instalações de energia, armazéns de armas e bases aéreas, levando inclusive ao cancelamento de voos em Moscou.
Outro analista presente no programa ponderou que, apesar dos avanços ucranianos no campo de batalha, fatores políticos favorecem a Rússia. Entre eles, a pressão de Donald Trump para que a Ucrânia aceite condições russas em uma negociação de paz, a interrupção do fornecimento de armas americanas à Ucrânia e os crescentes sinais de exaustão da economia russa. "Isso indica um equilíbrio que, portanto, prolongaria a guerra", avaliou o analista.


