Rússia só usaria armas nucleares contra ameaça à "existência do Estado", diz Kremlin

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fez afirmação e entrevista, nesta segunda-feira (28), e disse que “qualquer resultado da operação na Ucrânia não é motivo para o uso de arma nuclear

Sophie Jeong, da CNN
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A Rússia só usaria armas nucleares quando houver uma ameaça à existência do país - e não como resultado da guerra em andamento na Ucrânia, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à PBS Newshour, em entrevista nesta segunda-feira (28).

“Qualquer resultado da operação (na Ucrânia), é claro, não é motivo para o uso de uma arma nuclear”, disse Peskov. “Temos um conceito de segurança que afirma muito claramente que somente quando houver uma ameaça à existência do Estado, em nosso país, podemos usar e realmente usaremos armas nucleares para eliminar a ameaça à existência de nosso país.”

Quando questionado sobre os comentários do presidente dos EUA, Joe Biden, chamando Vladimir Putin de “açougueiro” e declarando que o presidente russo não deveria mais permanecer no poder, Peskov disse que “é bastante alarmante”.

“É um insulto pessoal”, disse Peskov. “Claro que é completamente inaceitável. Não cabe ao presidente dos Estados Unidos decidir quem será o presidente da Federação Russa”.

Em um discurso na Polônia no sábado, Biden fez um comentário improvisado - "Pelo amor de Deus, este homem não pode permanecer no poder" - que pegou autoridades americanas e internacionais desprevenidas, deixando a Casa Branca em "modo de limpeza" no fim de semana.

Negação de alvos civis

Em entrevista à PBS, Peskov negou que as forças russas tenham alvejado deliberadamente civis na Ucrânia. Apesar de as forças, jornalistas e refugiados ucranianos descrevem bombardeios brutais atingindo infraestrutura civil, incluindo casas, escolas, hospitais e muito mais.

“Eles não estão bombardeando casas. Eles não estão bombardeando apartamentos. Eles não estão bombardeando objetos civis”, disse Peskov. “Eles estão apenas bombardeando e visando infraestrutura militar.”

Os EUA declararam oficialmente na semana passada que as forças russas cometeram crimes de guerra na Ucrânia. O Tribunal Penal Internacional em Haia também iniciou uma investigação sobre a invasão.

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