Rússia x Ucrânia: Com um mês da guerra, buscas pelo assunto continuam em alta

Segundo dados da plataforma Google Trends, pesquisas sobre o conflito aumentaram 250% nos últimos 30 dias

Barricadas em Kiev, capital da Ucrânia, em 18 de março
Barricadas em Kiev, capital da Ucrânia, em 18 de março Emin Sansar/Anadolu Agency via Getty Images

Giovanna Bronzeda CNN

São Paulo

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Nesta quinta-feira (24), completa-se um mês desde que a Rússia invadiu a Ucrânia e começou a guerra no leste europeu. Mesmo após 30 dias desde o início do conflito, as buscas por mais informações sobre a disputa entre os dois países seguem em alta no Brasil.

Segundo dados da plataforma Google Trends analisados pela CNN, a busca pela palavra “guerra” relacionada à Rússia e Ucrânia ainda está em ascensão. Apenas nos últimos 30 dias, aumentou em 250%. Quando o recorte é dos últimos três meses, o aumento é ainda mais significativo: 1.350%.

Outros temas relacionados que estão recebendo mais procura são “refugiados”, “trabalho voluntário” e “Guerra em Donbas”, no último mês. Já as buscas mais realizadas no Google foram “guerra na ucrânia ao vivo”, “quantos mortos na ucrânia”, “imagens da guerra na ucrânia”, “notícias da guerra da rússia e ucrânia” e “nome do presidente da ucrânia” – que, no caso, é Volodymyr Zelensky.

Já nos últimos três meses, “soldado”, “guerra mundial” e “terceira guerra mundial” foram os assuntos que tiveram maior crescimento de interesse. Entre as pesquisas relacionadas que foram mais buscadas no Google, estão: “guerra na ucrânia hoje”, “guerra ucrânia e rússia motivo” e “por que a rússia está atacando a ucrânia”.

Desde o início do conflito, o Google também registrou recorde de buscas em um dia sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Em 23 de fevereiro, os dois países tiveram mais de 5 milhões de pesquisas cada um. Já em 1º de março, o assunto “Guerra” foi o quarto mais pesquisado no Brasil, com mais de 100 mil buscas.

Um mês da guerra entre a Rússia e Ucrânia

Segundo Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da Faap e da FGV, o primeiro mês indica que é o início do que pode ser um longo conflito: seja mundial, ou seja localizado no leste europeu. “Nós temos uma espécie de empate, pois a Rússia não se mostrou forte o suficiente para derrotar a Ucrânia de imediato e a Ucrânia não é fraca o suficiente para se render”, informou em entrevista à CNN. O papel principal da resistência, explica, não é apenas a liderança de Zelensky, mas também os ucranianos que, mesmo com a ancestralidade russa, decidiram defender a soberania da Ucrânia.

“Do ponto de vista externo, temos uma clara escalada do que pode se tornar numa terceira guerra mundial de fato”, explica Vieira. No entanto, a Otan ainda não possui motivo para se envolver de forma militar, já que a área dos países-membros ainda não foi invadida e, portanto, não precisa ser defendida. Já no caso da Rússia, foi firmada uma relação com a China e a Índia por causa das relações econômicas, fortalecida agora que o país russo parou de comercializar gás para a União Europeia, de acordo com o professor.

Marília Carolina de Souza, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Fecap e pesquisadora do Nupri-USP, avaliou o primeiro mês com destaque no avanço russo nas regiões sul e sudeste da Ucrânia. “Tivemos momentos bem sensíveis, como a tomada de Chernoby”, explicou, “Há indicações de que há uma tendência para que se torne um conflito civil prolongado, principalmente por conta da fragmentação no espaço ucraniano”.

Mesmo com o cerco militar em Kiev, a professora pontuou que a resistência dos ucranianos se mostrou forte durante os primeiros 30 dias de conflito e que deve “seguir até o final”. “Essa coesão nacional, a vontade dos ucranianos de defenderem sua terra é imensurável, não é material”, informou.

Souza também pontuou que Zelensky, ao se dedicar aos discursos às diversas nações, está criando simpatia internacional, principalmente ao “adaptar o discurso conforme o interlocutor”, abordando assuntos contundentes para os líderes mundiais para os quais fala.

Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se prepara para fazer discurso em seu gabinete / Foto: Ukrinform/Future Publishing via Getty Images

A professora também reforçou que outra tendência é o isolamento internacional de Putin. “As sanções e os bloqueios econômicos também foram inéditos, assim como a expulsão da Rússia do sistema de pagamentos”, explica. “As próprias corporações e as empresas deixaram a Rússia, gerando um efeito dominó que gera desemprego, gera desabastecimento, tem um desgaste que é mais a longo prazo mas que vai ser sentido. Uma prova disso é que hoje foi anunciado que a Rússia só vai aceitar o pagamento em rublos, não em dólar ou euro – isso indica uma fuga de moeda do país porque eles estão exigindo esse pagamento na moeda nacional.“

Dados do conflito no leste europeu

Desde 24 de fevereiro até 22 de março, o combate entre Rússia e Ucrânia resultou em 977 civis mortos, fora os militares de ambos os lados. Segundo a ONU, dentre os mortos, estavam 81 crianças.

O conflito também originou uma crise de refugiados na Europa.De acordo com a Agência para Refugiados da ONU, mais de 3,6 milhões de pessoas já deixaram a Ucrânia desde a invasão russa.

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