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    Saiba quais países rejeitaram condenar a Rússia na ONU — e seus argumentos

    Além dos russos, Belarus, Coreia do Norte, Eritreia e Síria foram contrários à medida proposta

    Reunião de emergência da Assembleia Geral da ONU sobre invasão da Ucrânia pela Rússia
    Reunião de emergência da Assembleia Geral da ONU sobre invasão da Ucrânia pela Rússia 02/03/2022REUTERS/Carlo Allegri

    Tiago Tortellada CNN*

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    Além da própria Rússia, quatro países votaram contra a resolução aprovada nesta quarta-feira (2) na Assembleia-Geral da ONU que condena o país pela invasão à Ucrânia. Foram eles: Belarus, Coreia do Norte, Eritreia e Síria.

    Para a aprovação, foi preciso maioria de 2/3 dos votantes. O Brasil foi um dos 141 países favoráveis à medida. Outros 35 se abstiveram.

    Em pronunciamento antes da votação, o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, pediu que a minuta não fosse aprovada e que os países “votassem por seus interesses e não por pressão”. Durante seu discurso, acusou a Ucrânia de utilizar pessoas como escudo humano e manter reféns em Kiev.

    Nebenzya disse que a recusa da votação permitiria “libertar a Ucrânia do neonazismo” e que há o crescimento de grupos com este ideal no país do Leste Europeu.

    “Estamos tentando terminar a guerra de oito anos na região de Donbas. Falamos com todos, mas não nos deram ouvidos. O objetivo da operação especial mostra que não estamos fazendo ataques à infraestrutura civil”, adicionou.

    Autoridades russas justificam constantemente a ação culpando a Ucrânia por discriminação e perseguição contra a população russa no país, principalmente nas autoproclamadas Repúblicas de Luhansk e Donetsk.

    Belarus

    Belarus, por sua vez, é um aliado histórico da Rússia, e o presidente do país, Alexander Lukashenko, é um líder próximo diplomaticamente de Vladimir Putin.

    A Ucrânia chegou a acusar o país de estar envolvido na invasão russa e que poderia até participar do ataque. Tropas russas entraram no território ucraniano por Belarus, utilizando também a maior proximidade da capital Kiev com a fronteira entre os dois países.

    O país nega envolvimento com a invasão russa, mas tem sido visto por Estados Unidos, União Europeia, Ucrânia e outras nações como um dos aliados mais importantes da Rússia no momento.

    “Rejeitamos categoricamente as acusações contra Belarus sobre o uso ilícito de força contra a Ucrânia”, afirmou o embaixador Velentin Rybakov em pronunciamento na ONU também nesta quarta-feira (2), complementando que o país apenas organiza negociações entre Rússia e Ucrânia.

    O embaixador defendeu a posição dada pela Rússia de que as Nações Unidas foram negligentes com supostas violações a Ucrânia aos Direitos Humanos, em referência a grupos neonazistas no país, dizendo que os órgãos internacionais não tinham “a coragem e a força de resposta às atividades criminosas na Ucrânia”.

    Painel da votação pela minuta da invasão da Ucrânia pela Rússia / Reprodução/ONU

    Síria

    Também antes da votação, Bassam al-Sabbagha, embaixador da Síria, disse que o objetivo da resolução era pressão política e que a minuta era “uma hipocrisia política deslavada” que “ocidentalizava a situação”.

    “Essa minuta é uma campanha da mídia de disseminação de mentiras e informações incorretas. Não tem objetivo de achar uma solução clara e prática para a crise. É um texto cheio de brechas e inverdades, que ignora as razões reais para a intensificação das ações e início das hostilidades”, afirmou.

    O representante sírio destacou ainda que deveria haver a “mesma disposição” dos países com relação à “ocupação contínua de Israel” e ao que chamou agressão turca e violação dos EUA da integridade territorial síria.

    Por fim, al-Sabbagh pontuou que a medida gerava “pesos e medidas diferentes”, além de sanções unilaterais.

    Vale lembrar que o governo russo auxiliou Bashar al-Asaad, governante sírio, na guerra civil do país. Desde então, o país tem declarado apoio ao presidente Putin.

    Eritreia

    A Eritreia disse que acredita que a integridade territorial deve ser respeitada por todos os países, mas justificou o voto dizendo ser contrária à “internacionalização do território e imposição de sanções unilaterais que podem escalar a situação e deploram o diálogo internacional”.

    O representante do país ainda afirmou que africanos estão enfrentando problemas para sair da Ucrânia, algo que foi relatado anteriormente, e reiterou querer “ver que as portas da diplomacia continuam abertas”.

    Coreia do Norte

    A Coreia do Norte não se pronunciou durante a Assembleia, mas a agência estatal KCNA noticiou em 28 de fevereiro que o país culpou a “política hegemônica” e “arrogância” dos Estados Unidos e do Ocidente.

    A causa raiz da crise na Ucrânia está totalmente na política hegemônica dos EUA e do Ocidente, que se impõem com arrogância e abuso de poder contra outros países”, disse a agência de notícias oficial do Norte KCNA, citando um Ministério das Relações Exteriores não identificado. porta-voz.

    A Coreia do Norte acusou Washington e seus aliados de “ignorar as exigências razoáveis ​​e legítimas da Rússia” para garantias de segurança legalmente respaldadas.

    *com informações de Luana Franzão, da CNN, e Reuters

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