Será um cessar-fogo e não um acordo de paz, diz professor sobre Irã e EUA

Gunther Rudzit avalia ao WW que memorando de entendimento não aborda as raízes do conflito e não resolve instabilidade no Oriente Médio

Da CNN Brasil
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O memorando de entendimento firmado entre os Estados Unidos e o Irã não deve ser interpretado como um acordo de paz, mas sim como um cessar-fogo. A avaliação é de Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa, em entrevista ao WW.

Segundo o especialista, a distinção é fundamental: um verdadeiro acordo de paz exige que as partes negociem as raízes do conflito. Nesse caso, porém, as causas profundas da tensão entre Washington e Teerã não estarão na mesa de negociações.

Contexto regional e instabilidade persistente

Rudzit lembrou que o atual ciclo de conflitos no Oriente Médio teve início com o ataque terrorista do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

Para Rudzit, aquela ofensiva teve como objetivo justamente impedir uma grande transformação geopolítica na região: o estabelecimento de relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e Israel. "Isso criaria uma frente que se oporia fortemente ao chamado arco de resistência iraniano", afirmou.

Com o agravamento do conflito, essa perspectiva de aproximação entre Riad e Tel Aviv tornou-se inviável. O próprio governo saudita já declarou que não reconhecerá Israel sem a criação de um Estado palestino — o que, por sua vez, Rudzit considera igualmente impossível no atual cenário político israelense.

Instabilidade sem solução à vista

Diante desse quadro, o professor avalia que a instabilidade no Golfo e no Oriente Médio como um todo deverá persistir. "A gente vai ter, para mim, um cessar-fogo, não uma paz", declarou Rudzit, explicando que, no seu entendimento, um acordo de paz de fato ocorre apenas quando adversários negociam as raízes de um conflito — o que não acontecerá no entendimento entre Estados Unidos e Irã.

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