Silos de grãos desabam no porto de Beirute em aniversário de 2 anos da explosão

Depósitos, que estavam gravemente danificados pela explosão gigante de 2020, ruíram nesta quinta-feira (4) perto de local onde protesto acontecia

Ahmad Al Kerdi, da Reuters
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O Líbano, nesta quinta-feira (4), marcou dois anos desde que uma enorme explosão no porto de Beirute matou pelo menos 220 pessoas, feriu milhares e devastou partes da capital.

No segundo aniversário do desastre, vários silos de grãos que foram gravemente danificados pela explosão desmoronaram, a apenas centenas de metros de onde a multidão se reunia para um protesto na orla da cidade.

Os silos de concreto racharam e caíram, enviando uma nuvem de fumaça para o céu. Os manifestantes cobriram a boca em descrença.

"A cena dos silos de Beirute em colapso novamente nos lembra a explosão de 4 de agosto de 2020. E hoje é 4 de agosto - dois anos depois, a investigação ainda não foi resolvida, a reconstrução não acabou e o medo está entre todos", disse uma enfermeira libanesa, Hisham Al-Assad, à Reuters.

"Ver a fumaça saindo - especialmente porque eu estava aqui durante a explosão - desencadeia uma memória muito ruim. Era a mesma fumaça saindo dos silos para o céu", disse Samer al-Khoury, manifestante de 31 anos.

Milhares de manifestantes marcharam em lágrimas na capital libanesa nesta quinta-feira (4), marcando dois anos desde uma explosão cataclísmica no porto de Beirute, com cânticos denunciando o fracasso do governo em descobrir a verdade por trás da explosão.

Os manifestantes, vestindo camisetas estampadas com marcas de mãos vermelho-sangue, marchavam do Ministério da Justiça do Líbano para a orla da cidade e depois para o parlamento no centro de Beirute.

A explosão arrasou partes da cidade em 4 de agosto de 2020, matando pelo menos 220 pessoas. Uma das maiores explosões não nucleares da história, foi causada por enormes estoques de nitrato de amônio mantidos no local do porto e negligenciados desde 2013.

"É importante para mim estar aqui hoje porque é muito importante para nós pedir justiça e responsabilidade pelo que aconteceu", disse Stephanie Moukheiber, 27, uma mulher libanesa que vive no Canadá, que decidiu passar o verão em Líbano.

"O que aconteceu não foi um erro, foi um massacre. Destruiu uma cidade inteira", disse.

Vários altos funcionários foram acusados ​​de responsabilidade, mas, até o momento, nenhum foi responsabilizado – sintomático, dizem os críticos de uma elite governante paralisada pela corrupção e sob cuja vigilância o Líbano mergulhou em uma crise política e econômica.

O atual presidente do Líbano, Michel Aoun, disse dias após a explosão que ele havia sido avisado sobre os depósitos de produtos químicos no porto e pediu aos chefes de segurança que fizessem o que fosse necessário.

O primeiro-ministro na época também disse ter sido informado – mas ninguém alertou a população sobre os perigos dos materiais. A investigação sobre a explosão está paralisada há mais de seis meses.