Teatro bombardeado em Mariupol tinha alerta para presença de crianças

Espaço estava sendo usado por centenas de civis para se protegerem dos ataques da Rússia

Tim ListerOlga VoitovychTara JohnPaul P. Murphyda CNN

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O teatro que foi bombardeado por forças russas em Mariupol, na Ucrânia, nesta quarta-feira (16) exibia no chão, ao lado do prédio, um alerta indicando a presença de crianças no local. O espaço estava sendo usado por centenas de civis para se protegerem dos ataques da Rússia.

As imagens dos alertas no solo foram capturadas pela empresa Maxar Technologies. A CNN geolocalizou a imagem e confirmou que realmente se trata do teatro na cidade portuária ucraniana.

Imagens de satélite mostram palavra “crianças” escrita nos dois lados de teatro em Mariupol / Foto: Maxar Technologies

Vídeos gravados após as explosões mostram um incêndio nas ruínas do teatro. O número de vítimas ainda é desconhecido.

Os ataques militares também atingiram um prédio que abrigava a piscina “Netuno”, utilizada como abrigo, a pouco mais de quatro quilômetros do teatro, de acordo com vídeos compartilhados por uma autoridade local. A autenticidade das gravações foi confirmada pela CNN.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, classificou o bombardeio como um “crime de guerra” e afirmou que o teatro está “completamente arruinado”. Kuleba acrescentou que os russos sabiam que se tratava de um abrigo para civis.

Maxim Kach, um funcionário do governo da cidade de Mariupol, disse que o edifício era para civis, com apenas mulheres e crianças escondidas dentro dele e sem a presença de militares.

Ele disse que as equipes de resgate estavam ocupadas tentando tirar uma mulher grávida dos escombros. A CNN não conseguiu verificar essa informação.

Mariupol está tomada pelas forças russas desde 1º de março. Após semanas de tentativas frustradas de estabelecer corredores humanitários para a evacuação de civis, cerca de 20 mil pessoas conseguiram deixar a cidade na última terça-feira (15), de acordo com a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Irina Vereshchuk.

Autoridades dizem que os moradores que ainda não deixaram a região estão sobrevivendo sem eletricidade, água e comida, com pessoas derretendo neve ou desinstalando sistemas de aquecimento para conseguir beber uma gota de água.

O bombardeio constantes e as brigas armadas pelas ruas da cidade fazem com que o movimento seja restrito. Um oficial ucraniano acusou as tropas russas de manter cerca de 400 pessoas em cativeiro no Hospital Regional de Terapia Intensiva de Mariupol.

“É impossível encontrar palavras que possam descrever o nível de crueldade e cinismo com que os ocupantes russos estão destruindo a população civil da cidade ucraniana à beira-mar. Mulheres, crianças e idosos permanecem na mira do inimigo. Pessoas pacíficas desarmadas”, disse o conselho da cidade.

“Nunca perdoaremos e nunca esqueceremos”, acrescentaram as autoridades.

A catástrofe humanitária em Mariupol enfureceu as autoridades locais. “Esses bastardos estão tentando destruir fisicamente Mariupol e o povo de Mariupol, que têm sido um símbolo de nossa resistência”, disse Pavlo Kyrylenko, chefe da administração da região de Donetsk, nesta quarta.

Ele afirmou que o que aconteceu com as centenas de pessoas abrigadas no teatro ainda é algo “desconhecido, já que a entrada do abrigo antiaéreo está bloqueada por escombros”.

“Os russos já estão mentindo, [dizendo] que tropas ucranianas estavam lá. Mas eles próprios sabem muito bem que havia apenas civis”, disse Kyrylenko.

Depois que a Rússia bombardeou uma maternidade na região, em 9 de março, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, alegou sem provas que o hospital era a base de um batalhão da milícia ultranacionalista ucraniana e que todos os pacientes e enfermeiros haviam saído.

Mais tarde, um porta-voz do Ministério da Defesa russo negou que a Rússia tenha bombardeado a maternidade, chamando a acusação de “provocação”.

Transformada em uma zona de batalha, o vice-prefeito de Mariupol disse à CNN que a Rússia está bombardeando a cidade com mísseis, e afirmou que contava 22 aeronaves na segunda-feira “que estavam bombardeando nossa cidade com pelo menos 100 bombas”.

Os moradores que fugiram da cidade descreveram as condições como “insuportáveis” e “infernais”. Na terça-feira (15), imagens de drones e fotos de satélite conseguiram registrar nuvens de fumaça espessa e prédios destruídos, ressaltando a devastação causada pelo bombardeio russo.

Cerca de 2.500 civis morreram em Mariupol, estimam autoridades ucranianas, e centenas de milhares de pessoas estão presas na cidade — com autoridades alertando que aqueles que permanecem estão sem eletricidade, água e aquecimento.

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