Temos utilizado recursos diplomáticos para resolver a questão separatista, diz Rússia

Assembleia-Geral da ONU voltou a discutir propostas de resolução para o conflito da Ucrânia e ajuda humanitária

Tiago Tortella, da CNN*
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Durante a continuação da sessão emergencial da Assembleia-Geral da ONU nesta quarta-feira (23), o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, disse que estão "utilizando todos os recursos diplomáticos para solucionar a situação em Donbas", área separatista no leste da Ucrânia, e defendeu a proposta de resolução apresentada por seu país.

"Começamos essa operação especial para parar com os ataques contra civis na região de Donbas há 8 anos", afirmou Nebenzya, acrescentando que "nossos colegas ocidentais têm apontado o dedo para a Rússia sem olhar para a população da região de Donbas".

Durante seu discurso, o embaixador criticou a proposta de resolução apresentada pela Ucrânia e apoiada por diversos países do Ocidente, que, segundo ele, foi feita "no contexto dos esforços anti-russos ou de nossos colegas ocidentais”.

Ao defender o rascunho russo de ajuda à Ucrânia, ele disse que "se nossos colegas ocidentais no Conselho de Segurança estavam realmente preocupados com a situação humanitária no local, eles têm a oportunidade de mostrar isso e votar em nosso projeto de resolução humanitária no Conselho de Segurança”.

Nebenzya adicionou que, assim, o órgão "cumpriria seu papel" e acusou o que chamou de "nacionalistas ucranianos" de utilizarem civis como escudos humanos e impedir a saída pelos corredores humanitários.

"Por isso a Rússia está trabalhando com a 'desnazificação' e desmilitarização, esse é o propósito da operação especial", afirmou. "Também falamos que não temos civis como alvos, e os nacionalistas precisam ser responsabilizados por seus crimes nos últimos anos", complementou.

Além da proposta ucraniana e russa, a Assembleia também apreciará a que foi apresentada pela África do Sul - que não cita a Rússia em nenhum trecho. Sobre isso, o embaixador afirmou que entende que o rascunho sul-africano "aborda as pressões políticas e econômicas dos países ocidentais".

“Espero que todos tomem decisões independentes”, finalizou Vasily Nebenzya.

Ucrânia pede apoio à resolução

O embaixador ucraniano nas Nações Unidas (ONU), Sergiy Kyslytsya, pediu à Assembleia-Geral que vote a favor de seu texto que pede, em parte, a cessação imediata das hostilidades pela Federação Russa.

O documento também lamenta as terríveis consequências humanitárias desde a invasão da Rússia e reafirma o compromisso com a soberania da Ucrânia e suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.

“Amanhã marca um mês desde a invasão”, disse Kyslytsya, “um mês desde que a vida dos ucranianos foi dividida em ‘duas partes’ – um passado pacífico e o agora, cheio de “guerra, sofrimento, morte e destruição”, complementou à Assembleia-Geral.

Kyslytsya disse que o alinhamento com a resolução “enviará uma mensagem poderosa destinada a contribuir para um avanço na ação humanitária no terreno”.

*com informações da CNN