Trump sai enfraquecido após acordo de paz com o Irã, diz professora
Segundo Ana Carolina Marson, presidente americano pode ter dificuldades nas eleições de meio de mandato devido à baixa popularidade e ao conflito com o Irã
O presidente dos Estados Unidos concordou em suspender os ataques ao Irã por duas semanas, mas sai enfraquecido dessa situação, o que pode prejudicar seu desempenho nas eleições de meio de mandato, segundo avaliação de Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
De acordo com a especialista, a postura de Donald Trump mudou drasticamente em pouco tempo. "De um post de ontem para 'uma civilização será dizimada', para o post de hoje de 'foi um cessar-fogo bilateral', nós já temos uma redução drástica na radicalização da fala dele", observou Marson durante o CNN Novo Dia desta quarta-feira (8).
A mudança de tom reflete a necessidade urgente de Trump de melhorar sua imagem diante do eleitorado americano. Pesquisas de opinião já mostram baixíssima popularidade do presidente por causa do conflito, o que pode impactar diretamente nas eleições de novembro para o Congresso.
"Estudos já apontam que as chances de Trump e dos republicanos perderem uma das casas é grande. Estima-se que será o Congresso, e não o Senado", explicou Marson.
Objetivos pouco claros
A professora destacou a inconsistência nos objetivos de Trump durante o conflito. "Ele falava que o objetivo era não deixar o Irã ter armas nucleares. Depois, passou para os mísseis balísticos. Em seguida, afirmou que queria dizimar a marinha iraniana. Depois, falou que queria a derrubada do regime. Logo em seguida, falou que esse nunca tinha sido um objetivo estadunidense", enumerou.
Para a especialista, a atual situação tornou-se insustentável para Trump, que agora busca uma saída que o faça parecer vitorioso. "Ele vai sair afirmando que conseguiu tudo o que queria, por mais que essa não seja a realidade e que o Irã saia bastante fortalecido", analisou.
Quanto às possibilidades de um acordo de paz definitivo, Marson demonstrou ceticismo. "O Irã quer seguranças maiores em relação a esse comprometimento dos Estados Unidos com a paz", explicou, lembrando que não é a primeira vez que o Irã estava negociando com os EUA e foi atacado.
"Para o Irã, ele quer algo definitivo. Ano passado, na Guerra dos Doze Dias, aconteceu exatamente a mesma coisa: estavam na mesa de negociações e foram atacados pelos Estados Unidos", completa a professora.
Marson concluiu que, embora um acordo de paz possa ser estabelecido e até chamado de definitivo, é difícil afirmar que Trump não realizará mais nenhuma ação contra o Irã até o final de seu mandato, dada a natureza imprevisível de seu processo de tomada de decisão.


