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    União Africana declara apoio a eventual intervenção militar no Níger para restaurar democracia

    Organização se pronunciou após países da África Ocidental reafirmarem intenção de usar a força para recolocar o presidente Mohamed Bazoum ao poder, caso negociações fracassem  

    Líderes da África Ocidental reunidos em Abuja, na quinta-feira; grupo recebeu forte apoio da União Africana
    Líderes da África Ocidental reunidos em Abuja, na quinta-feira; grupo recebeu forte apoio da União Africana 10/8/2023 REUTERS/Abraham Achirga

    Fábio Mendesda CNN

    A União Africana, instituição que reúne mais de 50 países do continente, declarou nesta sexta-feira que apoia as medidas tomadas pelas nações da África Ocidental para reconduzir ao poder o presidente do Níger, Mohamed Bazoum, inclusive o uso da força, se for necessário.

    Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, expressou “forte apoio” às decisões adotadas pela Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) sobre as “mudanças anticonstitucionais” no Níger.

    “O Presidente apela às autoridades militares para que detenham urgentemente o escalada das relações com a organização regional Cedeao, incluindo a cessação do sequestro contínuo do Presidente Bazoum em condições preocupantemente precárias”.

    General se apresenta como novo líder do Níger

    O comunicado da União Africana é uma sinalização positiva ao memorando divulgado pela Cedeao na quinta-feira, em que os líderes da África Ocidental solicitam a “ativação” de uma força militar regional de prontidão caso não avancem as negociações com a junta que hoje governa o Níger.

    Os integrantes da Cedeao, no momento, seguem tentando negociar com o novo ditador nigerense, Abdourahamane Tiani, e seu séquito mais próximo. A entidade reafirmou na quinta-feira que, antes de uma invasão ao Níger, buscará a “restauração da ordem constitucional” por meios pacíficos.

    No entanto, uma incursão militar para restaurar o poder de Bazoum jamais foi descartada e, mais do que isso, tem sido sempre colocada como uma possibilidade, embora longe da ideal.

    A decisão de preparar uma força de prontidão tem duas funções: a primeira é pressionar o governo do Níger a ceder. Os novos líderes do país têm reiteradamente afirmado que não deixarão o poder, e ganharam força com a adesão de dois países vizinhos da região, igualmente governados por juntas militares golpistas: Mali e Burkina Faso.

    No entanto, o apoio da União Europeia coloca um novo peso às palavras da Cedeao. Isso porque a entidade pan-africana frequentemente utiliza forças militares para ações em vários países que enfrentam conflitos internos.

    A outra função de convocar antecipadamente a preparação de uma força de prontidão é mais prática. A Cedeao não conta com uma força militar já mobilizada e precisaria contar com a ação coordenada de seus países membros em caso de invasão do Níger. A medida exigira algumas semanas de preparação e, por isso, convém estar pronto caso as negociações com a junta fracassem totalmente.

    O golpe militar foi desencadeado no dia 26 de julho, quando integrantes da Guarda Presidencial mantiveram detido o presidente Bazoum, afirmando que ele havia sido deposto. Em seguida, o exército anunciou apoio ao golpe.

    O ocorrido no Níger é um reflexo de outros golpes desencadeados em países da África Ocidental. Em comum, está o fato de os antigos governantes terem boas relações com as potências ocidentais, sobretudo com a França, que foi a antiga colonizadora da região e segue mantendo influência política e econômica na região.

    O Níger e outros países possuem ricas reservas de urânio, fundamentais para manter as usinas nucleares francesas. No entanto, vários setores dessas nações acusam a França de agir de forma imperialista. Essa insatisfação é o pavio, geralmente aceso pelas forças armadas, que alegam que a derrubada desses governos é vital para a recuperação da soberania.

    No entanto, esses militares não agem sozinhos: muitos contam com forte apoio da Rússia, que tem interesse em ampliar sua influência no continente africado, justamente para ter acesso às riquezas minerais desses países.

    E para consolidar esse apoio, o governo russo tem como principal braço armado nada menos que o Grupo Wagner, tropa mercenária que age em países como Burkina Faso, Líbia e Sudão, além do papel já conhecido na Guerra da Ucrânia.