União Europeia recomenda que companhias aéreas evitem sobrevoar o Irã

Agência alertou sobre presença e possível uso de armas e sistemas de defesa aérea em meio às tensões com os Estados Unidos

Kanjyik Ghosh, da Reuters
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A Agência Europeia para a Segurança da Aviação, um órgão da União Europeia, recomendou nesta quinta-feira (12) que as companhias aéreas do bloco evitem sobrevoar o espaço aéreo do Irã até 31 de março, reiterando um alerta anterior.

"A presença e o possível uso de uma ampla gama de armas e sistemas de defesa aérea, combinados com respostas imprevisíveis do Estado... criam um alto risco para voos civis operando em todas as altitudes e níveis de voo", afirmou a agência em um boletim.

Diversos países temem que um colapso nas negociações entre o Irã e os Estados Unidos possa desencadear um conflito que se alastre para o restante da região.

O Irã prometeu uma resposta contundente a qualquer ataque e alertou os países árabes do Golfo que abrigam bases americanas de que poderiam estar na linha de fogo caso se envolvam em um ataque.

Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".

O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.

Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".

Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.

A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.

Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".

Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.

Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".