Única saída ao Irã é alastrar conflito para pressionar Trump, diz professor

Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit avalia o cenário atual e os possíveis desdobramentos da guerra no Oriente Médio

Da CNN Brasil
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O conflito entre Estados Unidos e Irã entrou em seu quarto dia de ataques nesta terça-feira (3), com uma escalada preocupante que inclui novos alvos e a expansão das hostilidades para outros países da região. Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit analisou o cenário atual e os possíveis desdobramentos do conflito.

Segundo Rudzit, o regime iraniano está lutando pela própria sobrevivência e sua estratégia é clara: "A única saída para esse regime é tentar fazer com que esse conflito se alastre, envolva outros governos, para que eles pressionem Trump a parar esse ataque", explicou o especialista. Ele acrescentou que o Irã também busca fazer com que "o preço do petróleo dispare para afetar a base política de Trump, que eles também pressionem internamente".

O professor destacou que o governo Trump não deixou claro qual é o objetivo americano com este conflito. "Tem hora que Trump diz que é mudar o regime, tem hora que diz que é só para acabar com o programa nuclear, acabar com o programa missilístico", observou Rudzit. Em contraste, o especialista afirmou que o objetivo israelense parece mais definido: mudar o regime iraniano.

Expansão do conflito e defesas aéreas

Os ataques já registrados no Bahrein, Catar e Arábia Saudita demonstram a tentativa do Irã de expandir o conflito regionalmente. O professor explicou que mesmo com a ajuda americana, as defesas aéreas desses países estão em seu limite: "Se Israel, com a ajuda americana, não tem conseguido interceptar todos os mísseis, esses países dependem muito mais dos Estados Unidos".

Rudzit explicou que as ações da Força Aérea Americana e israelense estão concentradas em "tentar caçar ao máximo possível os lançadores desses mísseis", já que o Irã "pode ter ainda milhares de mísseis, mas não tem tantos lançadores". Segundo ele, a destruição desses equipamentos seria crucial para reduzir a capacidade de ataque iraniana.

Divisões internas e futuro do regime iraniano

Rudzit alertou para a necessidade de compreender as divisões internas no Irã: "Irã não é um regime único, monolítico, que não tenha rachaduras. Há divergências entre as Forças Armadas e a Guarda Revolucionária. Há divergências entre mais conservadores, entre os religiosos e os não tão conservadores".

Quanto ao futuro do regime iraniano, Rudzit avaliou que, apesar da crise atual, é improvável uma queda imediata: "Nesse momento, eu acho que ele sobrevive". No entanto, o professor considera que no médio e longo prazo, a manutenção do poder será difícil: "O regime, para mim, perdeu a legitimidade para pelo menos metade da sua população", disse, referindo-se aos protestos em larga escala ocorridos recentemente no país e à repressão violenta que se seguiu.

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