Serviço Geológico dos EUA corrige informação e nega terremoto no Nepal
Deslizamento provocou tremor equivalente a terremoto de 5,2 na fronteira do país com a China, na província do Tibete

O Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, corrigiu a informação de que um terremoto teria atingido a região da fronteira entre Nepal e China na quarta-feira (26).
O órgão havia registrado inicialmente um tremor de magnitude 4,4. Uma análise posterior de estações sísmicas próximas, ondas sísmicas de longo período e imagens de satélite mostrou que, na verdade, não houve terremoto.
Segundo o USGS, o tremor foi provocado pelo próprio deslizamento de gelo e rochas que atingiu um rio na região. O evento teve intensidade equivalente à de um terremoto de magnitude 5,2.
Ou seja: o terremoto não causou o deslizamento. Foi o deslizamento que provocou o tremor.
O deslizamento ocorreu quando uma grande quantidade de gelo e rochas desceu por uma encosta e atingiu o rio Lhende Khola, um afluente do rio Bhote Koshi, que corre da China para o Nepal.
O impacto provocou um grande fluxo de detritos e uma onda de água rio abaixo, causando enchentes catastróficas no Nepal e na China.
O número de desaparecidos nos dois lados da fronteira ultrapassou 1.400 pessoas. No Nepal, são 826 desaparecidos. Do lado chinês, há pelo menos 558.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. No Nepal, pelo menos 800 estrangeiros estão entre os desaparecidos, segundo o Conselho de Turismo do país. Entre as nacionalidades divulgadas, a Índia tem o maior número, com 178 cidadãos desaparecidos, seguida pelos Estados Unidos, com 65; Ucrânia, com 53; Malásia, com 51; Austrália, com 35; Reino Unido, com 33; e Canadá, com 25.
Do lado chinês, pelo menos 260 estrangeiros estão no balanço, segundo a imprensa estatal.
O Itamaraty afirma que não há registro de vítimas brasileiras, segundo o primeiro levantamento do órgão.
A região atingida é um importante destino de turismo, trilhas e peregrinações religiosas. Muitos estrangeiros estavam a caminho do Monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para hindus, budistas e jainistas.
As operações de busca e resgate continuam, mas as autoridades ainda não divulgaram a lista completa de mortos e desaparecidos. Em áreas remotas, com estradas e sistemas de comunicação danificados, pode levar dias para que a dimensão total da tragédia seja conhecida.
As geleiras do Nepal também vêm recuando rapidamente. Segundo o WWF, algumas perdem até 15 metros de gelo por ano. O derretimento e a instabilidade das encostas podem aumentar o risco de deslizamentos e enchentes na região.


