Vilarejos chineses estão pagando casais para ter mais filhos

Famílias receberão subsídios mensais até que seus bebês completem 2 anos e meio; valores podem totalizar mais de R$ 79 mil

Cidade de Panzhihua, na província de Sichuan, no sudoeste da China
Cidade de Panzhihua, na província de Sichuan, no sudoeste da China Xinhua / Zuma Wire

Jessie Yeungda CNN

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Com a China enfrentando uma crise demográfica iminente, o governo uma lei aprovou no mês passado que estabelece mudanças na política de controle de natalidade. Agora, é possível ter até três filhos – aumentando o limite permitido para o tamanho das famílias do país.

Mas com muitos casais ainda estão hesitantes em expandir suas famílias, alguns lugares estão oferecendo incentivos em dinheiro para encorajar mais nascimentos.

O vilarejo de Huangzhugen, na cidade de Lianjiang, no sul da província de Guangdong, vai pagar aos residentes permanentes até US$ 510 (equivalente a cerca da R$ 2.700) por mês por bebês nascidos após de 1º de setembro, informou o tabloide estatal Global Times nesta quarta-feira (22).

As famílias receberão os subsídios mensais até que seus bebês completem 2 anos e meio – o que pode totalizar mais de US$ 15.000 (equivalente a mais de R$ 79 mil) por bebê.

A renda média anual em Lianjiang era de US$ 3.295 (cerca de R$ 17 mil) por pessoa em 2019, de acordo com dados oficiais.

Os subsídios, no valor de vários milhões de yuans, a moeda do país, foram doados por um homem rico de um vilarejo, relatou o jornal local Zhanjiang Daily.

Panzhihua, uma cidade na província de Sichuan, também está dando dinheiro para famílias com dois ou três filhos – são US$ 80 (pouco mais de R$ 400) por mês – por bebê.

Medidas semelhantes foram implementadas em outros países asiáticos que enfrentam crises demográficas semelhantes: a cidade japonesa de Nagi se tornou uma história de sucesso para a fertilidade depois de pagar aos casais que moram lá para ter mais filhos.

Em Nagi, os pagamentos únicos aumentam do primeiro filho para o segundo e assim por diante.

E em Singapura, que tem uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, o governo ofereceu um pagamento único a pais no ano passado durante a pandemia do coronavírus.

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Na China, a pressão oficial por mais bebês foi recebida com críticas de muitas mulheres e jovens que dizem que não foi feito o suficiente para resolver os principais problemas que os impedem de ter mais filhos: desigualdade de gênero arraigada, falta de licença paternidade, aumento custos de vida e diminuição das oportunidades de emprego.

Para ter mais filhos, as mulheres muitas vezes precisam fazer sacrifícios significativos na carreira e podem enfrentar discriminação no local de trabalho – especialmente porque ainda se espera que sejam as principais responsáveis ​​pelo cuidado dos filhos e pelo trabalho doméstico.

Com mais mulheres recebendo educação universitária e entrando no mercado de trabalho, menos mulheres estão querendo para fazer esse sacrifício.

O problema é mais evidente nos centros urbanos, onde o custo de vida é mais alto, há mais competição por empregos e muitos reclamam da estagnação dos salários.

Mas os obstáculos persistem mesmo em áreas mais rurais e menos densamente povoadas. No vilarejo de Linze, na província de Gansu, uma pesquisa local descobriu que os três principais fatores que desencorajam as famílias de ter mais de um filho são as pressões sobre moradia, educação e creches, de acordo com o Global Times.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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