Voo secreto de Trump: veja passo a passo de troca de aviões
Reportagem revelou que Trump saiu escondido em caminhão de bordo para embarcar em aeronave diferente durante cúpula da OTAN; editor de Internacional da CNN Diego Pavão explica passo a passo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a Turquia em um voo militar secreto durante a cúpula da OTAN, em Ancara, segundo revelou uma reportagem do jornal The Washington Post. O editor de Internacional da CNN Diego Pavão explica, ao Live CNN, o passo a passo de Trump na troca de aviões.
A operação foi motivada por uma ameaça de assassinato atribuída ao Irã, e envolveu uma série de trocas de aviões que passaram despercebidas até mesmo para jornalistas e autoridades que estavam a bordo da aeronave presidencial.
Segundo Diego Pavão, já se sabia previamente que Trump não havia embarcado no Air Force One mais novo — aquele doado pela família real do Qatar ao governo americano. Em vez disso, ele teria subido no Air Force One mais antigo, identificado pelo design azul bebê. O que não se sabia, até a publicação da reportagem, era que uma segunda troca de avião havia ocorrido.
A saída escondida em um caminhão de bordo
Minutos após embarcar no avião presidencial antigo, Trump teria entrado em um caminhão de bordo — aquele tipo de veículo comum em aeroportos, equipado com uma plataforma hidráulica que eleva um contêiner até o nível da cabine da aeronave para entrega de refeições. Dentro desse contêiner, Trump teria sido transportado discretamente até uma aeronave diferente, estacionada nas proximidades.
Para garantir que a movimentação não fosse vista, os jornalistas que viajavam a bordo do Air Force One foram ordenados a baixar as persianas das janelas — uma instrução descrita como incomum e que, na época, gerou estranhamento. "O que se entende agora é que essa orientação era para que os jornalistas não vissem essa movimentação de Donald Trump", explicou Pavão.
O avião secreto: um C-32 da Força Aérea Americana
A aeronave para a qual Trump foi transferido é um modelo chamado C-32, um Boeing modificado pela Força Aérea Americana que também é utilizado como avião presidencial.
A aeronave costuma ser usada para transportar outras autoridades do governo, como secretários, a primeira-dama e o vice-presidente. Naquele momento em Ancara, o avião estava sendo usado por Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, que também participava da cúpula da OTAN.
Enquanto Trump viajava nesse avião menor, o Air Force One antigo decolou em direção ao Reino Unido com jornalistas e parte da comitiva a bordo — sem que soubessem que o presidente não estava mais na aeronave.
Nem algumas autoridades da própria Casa Branca que estavam no voo foram informadas da troca. A comunicação entre os controladores de voo também continuou referindo-se ao avião maior como Air Force One, mantendo a aparência de que Trump seguia nele.
Nova troca no Reino Unido para enganar os olhos do público
A parte considerada mais surpreendente de toda a operação ocorreu já no Reino Unido. Segundo Pavão, o avião menor com Trump chegou alguns minutos antes do Air Force One antigo.
Antes de o voo maior pousar, Trump teria saído do C-32 e embarcado novamente no avião grande — apenas para desembarcar pelas escadas diante das câmeras, como se tivesse feito todo o trajeto naquela aeronave.
Em seguida, Trump teria trocado mais uma vez, saindo do Air Force One antigo e indo a pé até o Air Force One novo, que acabara de não ser utilizado na viagem justamente por causa do risco de segurança.
Pavão explicou que esse avião mais novo, por ter sido adaptado a partir de uma aeronave doada e não construído do zero para uso presidencial, não estaria totalmente preparado para lidar com uma ameaça de ataque aéreo.
Por isso, teria saído de circulação para passar por atualizações. O modelo mais antigo, apesar da idade, seria considerado mais adequado para enfrentar esse tipo de ameaça.
O contexto da operação envolve a fronteira terrestre de mais de 500 quilômetros entre Turquia e Irã, que coloca o território turco ao alcance de mísseis iranianos. Pavão destacou que Trump tem recebido ameaças crescentes nos últimos meses ligadas à tensão com o Irã, incluindo o histórico de os Estados Unidos terem eliminado um líder supremo iraniano.


