Envelhecimento dos pets: 50% dos tutores evitam falar sobre o assunto
Cães e gatos que foram adotados na pandemia estão chegando à velhice aos poucos

Pets que foram adotados no início da pandemia estão chegando à meia-idade, ligando um alerta em seus tutores: eles estão envelhecendo. Um dado preocupantes aponta que 50% dos donos dos animais evitam falar sobre o assunto.
Uma pesquisa com mais 1 mil donos de cães e gatos no Brasil registra que muitos deles adiam cuidados preventivos que podem tornar a velhice dos bichinhos uma fase mais leve e saudável.
Segundo os dados obtidos pela Royal Canin e conduzida pela Censuswide, existe uma grande barreira emocional que impede tutores de lidarem com o envelhecimento de seus pets.
A pesquisa mostra que 34,3% dos participantes admitem que só pensam no assunto quando surgem problemas de saúde; já 35,2% afirmam que não adotam nenhuma medida para prevenir pets de problemas futuros. Essa falta de cuidado se dá pela falta de problemas visíveis nos animais.
Entre os tutores analisados, 67% afirmam que pensar sobre o assunto causa muita tristeza, enquanto 38,7% tentam não pensar no animal idoso por considerá-lo parte da família.
"O envelhecimento de nossos pets começa antes do que muitos de nós imaginamos, frequentemente durante a metade da vida, quando gatos e cães ainda parecem perfeitamente saudáveis e cheios de energia", aponta Priscila Rizelo, médica veterinária e Gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil.
"Como médicos veterinários e também como responsáveis por eles, sabemos como é fácil focar no presente quando os animais estão bem e o quanto pensar neles chegando à maturidade pode ser angustiante. No entanto, iniciar check-ups e conversas de forma preventiva é a chave para garantir não apenas uma vida mais longa, mas com mais qualidade e saúde", continua.
Os dados apontam que tutores temem doenças em seus pets. O câncer é apontado como o maior temor (42,5%), seguido por problemas de mobilidade e articulações (28,9%) e doenças renais (11,3%).
Em relação aos cuidados, 61,2% dos tutores afirmam levar seus pets para check-ups regulares. Dos analisados, 38,5% procuram atendimento quando percebem mudanças de comportamento, enquanto 25% apontam os altos custos veterinários como um obstáculo para agir precocemente.
Cuidados com os animais
À CNN Brasil, o médico veterinário autônomo Renan Serbaro Vetillo aponta que a senilidade de pets é tratado com tabu.
O profissional ainda destaca que o processo de envelhecimento de espécies é diferente entre cada porte de animal.
"Podemos considerar que um cão entra oficialmente na fase senil a partir dos 7 anos de idade, com exceção dos cães de grande e gigante porte, como, por exemplo, o Dogue Alemão, que podem atingir a senilidade por volta dos 6 anos", explica.
"Já com os gatinhos é um pouco diferente, visto que eles apresentam um desenvolvimento mais lento e, consequentemente, um processo de envelhecimento mais tardio, sendo considerados senis, de forma geral, a partir dos 11 anos de idade", continua.
Renan aponta que a senilidade pode ser percebida com mudanças físicas e comportamentais de cada animal, além da idade cronológica.
No dia a dia, é importante se atentar à perda de massa muscular, redução da mobilidade, alterações cognitivas e doenças degenerativas, como osteoartrose, doenças cardíacas, doença renal crônica, endocrinopatias e neoplasias, entre outras.
"Embora o envelhecimento seja um processo natural e inevitável, seus impactos podem ser minimizados com cuidados iniciados ainda na juventude do pet", informa o médico veterinário.
Como um pet pode envelhecer de forma saudável?
É possível promover um envelhecimento saudável com hábitos como:
- alimentação equilibrada;
- a manutenção do peso ideal;
- a prática regular de exercícios;
- o enriquecimento ambiental;
- o acompanhamento veterinário periódico;
- a medicina preventiva — por meio de estratégias como fisioterapia, condroprotetores e canabinoides, sempre sob supervisão do médico veterinário;
- e diagnóstico precoce de doenças.


