Bolsonaro diz que menção à interferência na PF é sobre segurança familiar


Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 09:21 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 10:00

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta sexta-feira (15) que a menção que ele fez na reunião de 22 de abril – registrada em vídeo – sobre interferência na Polícia Federal se trata da segurança dele e da família.

"A interferência não é nesse contexto da inteligência. É da segurança familiar. É bem claro, segurança familiar", afirmou ele, na saída do Palácio da Alvorada. 

Questionado por um dos jornalistas presentes sobre a menção à Polícia Federal que o presidente diz não ter feito, ao contrário do que aponta a transcrição da conversa, ele respondeu: "Tá a palavra PF. Duas letras".

"Tem a ver com a Polícia Federal, mas é a reclamação da PF no tocante ao serviço de inteligência", afirmou ele, destacando que a transcrição está correta. As declarações estão transcritas em documentos entregues nessa quinta (14) pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da investigação sobre a suposta interferência de Bolsonaro na PF.

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Ele disse que, na reunião, reclamou sobre o fato de não receber informações da Polícia Federal, mas também da inteligência das Forças Armadas e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Bolsonaro declarou ainda que, após a divulgação do vídeo, haverá questionamentos sobre se um presidente que fala palavrão está à altura do cargo. Ele afirmou ironicamente que “quem está à altura é presidente que rouba” e “fala bonito, fala manso, como ex-presidente boca mole que continua falando besteira por aí”.

Ao ser questionado sobre o trecho da transcrição em que Bolsonaro diz "vou interferir, ponto final", ele pediu que a gravação se torne pública “para que a análise correta venha a ser feita". "O que eu falei ali é no tocante à segurança física, à minha segurança. Quem faz minha segurança não é PF, nem Polícia Federal, é o GSI (Gabinete de Segurança Institucional)", disse ele, pouco antes de encerrar a entrevista coletiva.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou contra a divulgação da íntegra do vídeo. Ao ministro Celso de Mello, do STF, Aras defendeu a divulgação apenas dos trechos que dizem respeito ao inquérito que apura possível interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

A AGU defende o mesmo ponto, de divulgar apenas as falas proferidas por Bolsonaro. Segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, Bolsonaro o ameaçou de demissão na reunião, caso não pudesse trocar a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O presidente nega essa versão e diz que estava tratando da segurança que é destinada a ele e à sua família.