PGR se manifesta contra divulgação de íntegra do vídeo de reunião ministerial


Da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 22:36 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 23:50

O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou contra a divulgação da íntegra do vídeo da reunião ministerial do último dia 22 de abril. Em manifestação ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), Aras defendeu a degravação apenas dos trechos que dizem respeito ao inquérito que apura possível interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Mais cedo, a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu o mesmo, divulgando falas proferidas por Bolsonaro. Segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, Bolsonaro o ameaçou de demissão na reunião, caso não pudesse trocar a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O presidente nega essa versão e disse que estava tratando da segurança que é destinada a ele e à sua família.

Em sua manifestação, a AGU também afirmou que é contra a divulgação de falas dos demais participantes da reunião (os 22 ministros e os presidentes dos bancos públicos).

Já Augusto Aras opina que a liberação seja feita por assunto, com os trechos que tratem da Polícia Federal, de segurança, do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de relatórios de inteligência e informações.

Para o procurador-geral, a divulgação da íntegra da gravação poderia configurar "palanque eleitoral precoce" para 2022.

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Aras afirmou que, se divulgado na íntegra, o vídeo passaria "de instrumento técnico e legal de busca da reconstrução histórica de fatos" em "arsenal de uso político, pré-eleitoral (2022), de instabilidade pública e de proliferação de querelas e de pretexto para investigações genéricas sobre pessoas, falas, opiniões, e modos de expressão totalmente diversas do objeto das investigações".

A posição do Ministério Público e da defesa do presidente contraria o que quer o ex-ministro Sergio Moro, que defende a divulgação da íntegra do vídeo da reunião. Na terça-feira (12), o vídeo foi exibido pela Polícia Federal às partes interessadas na investigação.

Moro criticou a posição da AGU, que traz trechos da fala do presidente. Para o ex-ministro, este fato o coloca em "disparidade" com o presidente, porque indica que a defesa de Bolsonaro possui acesso à íntegra do vídeo, o que ele se queixa de não ter.