O Grande Debate: as redes sociais devem ser controladas?


Da CNN, em São Paulo
29 de maio de 2020 às 22:39 | Atualizado 30 de maio de 2020 às 00:09

No Grande Debate da noite desta sexta-feira (29), Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho abordaram a atitude do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assinar um decreto que reduz as proteções legais contra empresas de tecnologia. A medida altera o poder de moderação do conteúdo veiculado pelos usuários. Trump havia ameaçado regular e até fechar as companhias de mídias sociais por "sufocar vozes conservadoras". No Brasil, na mesma semana, a Polícia Federal cumpriu mandados contra influenciadores digitais ligados a Jair Bolsonaro. O tema do debate de hoje é: a internet deve ser completamente livre ou as empresas devem monitorar possíveis abusos?

“Em abril de 2018, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, disse durante audiência no Congresso dos Estados Unidos se preocupar com a tendência a esquerda das redes sociais. O Facebook chegou a tirar do ar uma página de apoio a Trump sob pretexto de que o conteúdo da página é inseguro para a comunidade,” iniciou Caio, que defende a tese de que redes sociais trabalham sob viés de esquerda, limitando o alcance de ideias conservadoras. Segundo ele, para se discutir liberdade de expressão na internet é preciso que ela exista nos ambientes digitais, o que em sua visão é algo que não acontece.

Já Augusto iniciou sua argumentação relembrando casos onde fake news foram usados com viés político. “Fake news foram largamente utilizadas em campanhas políticas, como nas eleições americanas de 2016 em que 27% do eleitorado americano leu ao menos uma vez uma notícia falsa durante o período eleitoral. A campanha do Brexit foi marcada por isso. No Brasil durante as eleições presidenciais, apoiadores de Bolsonaro compraram serviço de envio em massa de mensagens, muitos delas falsas. É preciso contextualizar os acontecimentos recentes para mostrar o poder da magnitude das redes sociais.”

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Caio questiona o viés das redes sociais e o fato de o setor ser um oligopólio, o que dificulta ainda mais a propagação de ideias conservadoras, limitando as discussões públicas e criando um viés nas discussões. “Através do viés você consegue delimitar a opinião pública e criar o novo normal. Há um pequeno grupo de empresas que está formando uma nova opinião pública através da restrição de ideias.”

Augusto então se voltou a frase polêmica de Trump, apagada pelo Twitter e que remete a outros casos de racismo nos Estados Unidos. “Trump tuitou: quando os saques começam, os tiros começam. A frase pode parecer inofensiva, mas foram proferidas pela primeira vez por um chefe de polícia da cidade de Miami conhecido por sua enorme brutalidade no exercício da atividade, especialmente contra negros. Depois a frase foi usada por um político cujo lema de campanha era: segregação hoje, segregação amanhã, segregação sempre. Isso é incitação ao crime, isso não é liberdade de expressão, é uma frase que induz a violência por seu histórico.”

Já para Caio, um dos principais motivos da ordem executiva de Trump - similar a um decreto presidencial no Brasil - é para “combater a censura imposta por um pequeno número de empresas”, e que a decisão busca “criar novas regulamentações que empresas que cometam censura percam seu escudo de responsabilidade,” termo que prevê a garantia de isonomia de tratamento para todos os cidadãos.

Augusto questionou a fala de Caio sobre Trump ao lembrar que o político se utiliza da função bloquear no Twitter para barrar o acesso de jornalistas e opositores ao seu perfil, o que em sua visão é um contrassenso a fala de que a ordem executiva foi criada para trazer maior liberdade de expressão. “Trump admite que o ato talvez não passe no congresso, e diz que caso isso aconteça, ele irá fechar o Twitter. Essa atitude dele é completamente contrária aquilo que ele defende sobre liberdade de expressão.”