Quem é Fábio Faria, novo ministro e genro de Silvio Santos

Deputado federal desde 2007, potiguar foi escolhido por Jair Bolsonaro para chefiar o Ministério das Comunicações, que foi recriado

Da CNN, em São Paulo
11 de junho de 2020 às 15:28
Fábio Faria, Câmara dos Deputados, Ministério das Comunicações
Atual ministro das Comunicações, Fábio Faria, em foto de arquivo
Foto: Brizza Cavalcante - 01.jun.2011/Câmara dos Deputados

O novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, 42, assumiu seu primeiro mandato como deputado federal aos 29 anos, em 2007, pelo PMN.

Filiado ao PSD desde 2011, é filho do ex-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, e casado com a apresentadora Patrícia Abravanel, filha do empresário Silvio Santos.

Na Câmara desde que foi eleito pela primeira vez, Faria já ocupou a liderança do partido na Casa e o posto de vice-presidente entre 2013 e 2015. O parlamentar é formado em administração de empresas pela Universidade Potiguar (UnP).

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Recriação do ministério

Na noite de quarta-feira (10), o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a recriação o Ministério das Comunicações, por meio da assinatura de uma medida provisória, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Ao falar com jornalistas em frente ao Palácio do Alvorada, Bolsonaro comentou as mudanças. Na ocasião, o presidente citou o fato de Faria ser casado com a Patrícia Abravanel.

"Ele não é um profissional do setor, mas tem conhecimento, até pela vida que ele tem, junto à família do Silvio Santos. A intenção é essa, é otimizar e botar o ministério para funcionar nessa área, que estamos há tempo devendo uma maior informação", afirmou.

O novo ministério será o 23º do governo Bolsonaro. Antes da decisão de recriar a pasta, a área das Comunicações estava subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, sob chefia de Marcos Pontes.

Em nota, o governo federal afirma que a recriação será feita "sem nenhum aumento de despesa", aproveitando "apenas cargos de estruturas já existentes".

Além da recriação do ministério, o presidente extinguiu a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), responsável pela comunicação institucional da Presidência. A partir de agora, as funções da secretaria serão incorporadas ao novo Ministério das Comunicações.

Na prática, a mudança pode configurar eventual conflito de interesse, em razão de sua relação com o empresário Silvio Santos, dono do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) e o fato de o novo ministro comandar a distribuição de verbas para propaganda oficial para veículos de comunicação.

O atual secretário de Comunicação Social, Fábio Wajngarten, será o secretário-executivo da nova pasta, submetido a Faria.

Privatização da EBC

O novo ministro também vai assumir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estatal que reúne emissoras de televisão, rádios e agência de notícias. Bolsonaro disse que o objetivo é privatizar a empresa.

"Ele (Fábio Faria) entra a todo vapor na segunda-feira, trabalhando já com a equipe própria. Vai aproveitar a maioria do pessoal comissionado que estava ali nesses outros órgãos. E o objetivo é, logicamente, colocar a EBC, que nós temos, pra funcionar".

"Também devemos privatizar a EBC num primeiro momento assim que for possível também", afirmou o presidente.

Desta forma, Fábio Faria será responsável pelas áreas de telecomunicações e radiodifusão. Os Correios e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também estão vinculadas à pasta.

De acordo com Bolsonaro, a recriação do Ministério das Comunicações não representará custos para o governo, uma vez que a sua estrutura vai reaproveitar cargos já existentes na Secom e no Ministério da Ciência e Tecnologia.

O único cargo novo seria, portanto, o de ministro das Comunicações. Mesmo assim, argumenta o presidente, não haveria custo adicional, uma vez que Fábio Faria já tem direito ao salário de deputado federal.