'Pedi socorro e desmaiei', diz jovem sufocado por PM em abordagem na Grande SP

Em vídeo, Gabriel é agredido, cai no chão e depois tem no pescoço pressionado por alguns minutos, enquanto estava deitado no asfalto

Da CNN
22 de junho de 2020 às 15:21 | Atualizado 22 de junho de 2020 às 15:31

Agredido por policiais militares durante uma abordagem em Carapicuíba, na Grande São Paulo, Gabriel, de 19 anos, relatou à CNN, nesta segunda-feira (22), o momento que foi sufocado pelo agente.

"Não tive convulsão. Eu estava me debatendo porque não conseguia respirar. Eu estava pedindo socorro, para ele me soltar, e, quando minha voz não saía mais, eu desmaiei", relembrou ele, que está com marcas no pescoço devido à agressão. "Ele falou para eu ficar quieto e que eu estava preso, mas não disse o motivo. Desmaiei três vezes", completou.

Gabriel contou que a moto em que estava com um amigo, identificado como Charles, foi jogada pela moto do PM, e que foi "enforcado para não respirar". "Ele jogou na minha frente, tentei frear, as duas motos caíram, eu pulei e fiquei em estado de choque, e ele já pulou em mim. Foi tudo muito rápido. Quando pulei já vi o policial em cima de mim. Falei para ele que não precisava disso porque eu não era bandido nem criminoso", relatou. "O policial pulou da moto, achou que eu ia correr e grudou no meu pescoço. Eu desmaiei e já não vi mais nada. Eu me debati com ele para ter ar", acrescentou o rapaz.

Gabriel contou que "toda vez que acordava, pedia para chamar a mãe". "Eu não estava vendo o movimento deles. Eu só estava focado em chamar minha mãe", disse.

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O jovem assegurou que não se tratava de uma moto roubada, como alegado pelos policiais, mas que o veículo é do amigo que estava com ele - que estava sem os documentos no momento da abordagem. "Era por isso mesmo que a gente estava indo para casa. Foi a primeira ação que tive como essa. Já tomei vários enquadros e sempre me trataram bem. Essa foi a primeira vez que aconteceu isso comigo", disse.

Ele ainda disse que na rua onde mora e por onde passava "não tinha espaço para correr", além de estar cheia de gente no momento. "Não tem como correr. Acho que, se eu tivesse rápido, não estaria nem dando essa entrevista agora, porque estaria eu, o menino da minha garupa e o policial no hospital", completou.

Por fim, o jovem disse "esperar que isso acabe logo". "Porque não quero ter esses pesadelos que estou tendo. Tenho medo agora", finalizou.

Nas imagens, é possível ver que Gabriel é agredido, cai no chão e depois tem no pescoço pressionado por alguns minutos, enquanto estava deitado no asfalto. Já na calçada, o policial enforca o jovem até deixá-lo desacordado.

Após o caso, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou um programa para treinar policiais militares para prevenir casos de violência policial, o "Retreinar". Os primeiros a se submeter ao programa será o comando da PM.

Em nota à CNN, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) disse analisa o caso e que os policiais foram afastados preventivamente e cumprem serviços administrativos durante a investigação. Além disso, segundo o comunicado, os "os policiais envolvidos na ocorrência já foram ouvidos, e as imagens citadas analisadas pela instituição, que adotará as providências cabíveis, após análise dos fatos".

(Edição de Luiz Raatz)