Enem 2020 será em 17 e 24 de janeiro de 2021, diz MEC


Bernardo Barbosa e Anna Satie, da CNN em São Paulo
08 de julho de 2020 às 17:19 | Atualizado 08 de julho de 2020 às 18:15
Prova Enem

Provas do Enem

Foto: Reprodução/Agência Brasil

O Enem 2020 será realizado nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021, anunciou nesta quarta-feira (8) em Brasília o Ministério da Educação. Marcada inicialmente para novembro, a prova tinha sido adiada por tempo indeterminado devido à pandemia de Covid-19.

O exame tem 5,8 milhões de estudantes inscritos. O MEC chegou a abrir uma enquete para saber deles para quando a prova deveria ser adiada. Cerca de 20% dos inscritos participaram da enquete. Destes, quase metade votou pelo adiamento da prova para maio de 2021.

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Com a alteração, as provas do Enem Digital ficam para 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Os resultados são previstos para 29 de março de 2021.

De acordo com o secretário-executivo da pasta, Antonio Paulo Vogel, a decisão foi tomada por meio de diálogos com secretarias estaduais e entidades representativas das instituições de ensino públicas e privadas. 

"Não é uma solução perfeita e maravilhosa para todos, mas buscamos uma solução técnica, tentando ver a data que melhor se adequasse", disse.

Na entrevista coletiva de divulgação das novas datas, Maria Cecília Motta, presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), disse que a realização da prova em janeiro seria a "menos danosa", para não perder totalmente o primeiro semestre.

Após o anúncio, os termos Enem e Inep entraram nos tópicos mais comentados do Twitter, com muitos estudantes reclamando que a enquete não teve nenhuma serventia. 

Para a UNE (União Nacional dos Estudantes), a deliberação mostra desprezo. "A divulgação das novas datas para o Enem 2020 escolhidas pelo MEC só demonstram como eles tratam a opinião dos estudantes: com desprezo", publicou o perfil da entidade na rede social. "Não escutaram as entidades estudantis em nenhum momento e ignoraram o resultado da consulta que eles mesmos fizeram".

A mesma opinião foi ecoada pela Ubes (União Brasileira de Estudantes Secundaristas). "A opinião dos reitores e secretários dos estados é importante sobre o Enem, não temos dúvida. Mas a opinião dos estudantes foi ignorada pelo Inep", escreveram. "O governo Bolsonaro não liga para os estudantes, muito menos para a opinião deles, e o MEC continua sem ministro".

O Enem é um dos principais meios de acesso ao ensino superior no Brasil, e ganha nova data no momento em que o país enfrenta o impacto da pandemia nas salas de aula sem ter um ministro da Educação.

Mesmo depois da confirmação da pandemia de Covid-19, o MEC -- ainda sob o comando de Abraham Weintraub -- resistia em anunciar o adiamento do Enem 2020. No começo de abril, o então ministro afirmava que o Enem não seria adiado.

Somente no fim de maio o governo federal anunciou que a prova seria adiada em pelo menos um mês. A decisão veio depois que lideranças do Congresso sinalizaram ao poder Executivo que aprovariam o adiamento.

Sisu

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse que, com a alteração, é possível que as instituições precisem de uma terceira edição do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) em 2021.

Normalmente, são realizados dois processos seletivos anuais, um em janeiro e outro em julho.

Segundo ele, a instituição está disponível para esse debate, uma vez que a situação é de "excepcionalidade".

As inscrições para a seleção do segundo semestre de 2020 foram abertas nesta terça (7) e vão até sexta-feira (10). Mais informações podem ser vistas no site do Inep e do próprio Sisu.