Após aviso do centrão e ligação de Bolsonaro, MEC recua sobre Enem 

Bárbara Baião e Renata Agostini  Da CNN, em Brasília
20 de maio de 2020 às 11:48
O ministro da Educação, Abraham Weintraub
Foto: Marcelo Camargo - 07.mai.2019/Agência Brasil

O anúncio feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, pelo adiamento o Enem, nesta quarta-feira, 20, teve como estopim uma ligação do presidente Jair Bolsonaro sinalizando que, se o governo não se posicionasse de forma mais incisiva nesse sentido, iria sofrer uma derrota no Congresso Nacional. 

A conversa ocorreu na manhã desta quarta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, alertou o presidente da República de que os deputados iriam discutir o projeto sobre o tema, que foi aprovado no Senado no dia anterior. 

Weintraub ouviu também pela manhã em telefonemas com líderes de partidos de centro, como Wellington Roberto, do PL, que eles não conseguiriam segurar a aprovação da matéria na Câmara. Também houve recado do PP de que o anúncio de uma consulta pública para ouvir os estudantes sobre o adiamento da prova era insuficiente para conter o projeto no Congresso. 

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Mesmo diante do diagnóstico, Weintraub insistiu em condicionar uma decisão a respeito do adiamento ao resultado da pesquisa com os estudantes. Após a orientação de Bolsonaro e diante de derrota iminente no Congresso, Weintraub anunciou no Twitter proposta de adiamento de “30 a 60 dias” com o “pedido” para que os estudantes sejam ouvidos. 

Com essa sinalização política, líderes entendem que há agora espaço para segurar por mais um tempo a votação do projeto na Câmara. Mas as conversas seguem. Por questões técnicas, o MEC entende que não consegue antecipar a consulta aos estudantes, prevista somente para o final de junho. 

O Planalto tentou segurar a votação do tema no Senado na terça-feira, 19, mas não obteve sucesso. Um dos caminhos cogitados dentro do governo era a publicação de uma portaria com uma nova data para a prova. Mas Weintraub seguia contra a medida. 

Dentro da Secretaria de Governo, comandada por Luiz Eduardo Ramos, a avaliação também foi a de que, por ter um forte apelo popular, o projeto pelo adiamento do Enem não poderia ser considerado um “teste de fogo” a respeito da tentativa de criar base de apoio com o centrão.