Polícia do DF prende amigo de estudante de veterinária picado por cobra naja

Gabriel Ribeiro é amigo de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, suspeito de integrar o grupo criminoso e de atuar para obstruir as investigações

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
22 de julho de 2020 às 08:53 | Atualizado 22 de julho de 2020 às 09:58

A Polícia Civil do Distrito Federal realiza nesta quarta-feira (22) a terceira fase da Operação Snake, que investiga um esquema voltado à prática de crimes ambientais.

Na ação de hoje, foi preso, de forma temporária, o estudante de medicina veterinária Gabriel Ribeiro, suspeito de integrar o grupo criminoso. Ele é amigo de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, que foi picado no começo de julho pela cobra naja que ele criava ilegalmente.

O mandado de prisão contra Gabriel foi expedido pela existência de indícios de que ele estaria agindo, desde o início da investigação, para obstruir as investigações. Também há suspeitas de que ele tenha escondido serpentes que pertenciam a Lehmkul.

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Na quinta-feira (16), a Polícia Civil do DF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na casa de Lehmkul – em uma ação que fez parte da segunda fase da Operação Snake. 

Na ocasião, foram apreendidos diversos documentos, celulares, medicamentos de uso veterinário, outra serpente e vários objetos utilizados na criação ilegal de animais silvestres e exóticos.

Investigação

A internação do estudante após ser picado por uma cobra naja, de reprodução proibida no Brasil, levou a polícia a investigar a suspeita de tráfico de animais na região. Pedro e Gabriel, que o ajudou a esconder o animal, poderão responder por crime ambiental, além de tráfico de animais silvestres.

Ambos foram multados em R$ 2 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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Uma investigação foi aberta pela Polícia Civil do Distrito Federal para apurar o caso. De acordo com a Polícia Civil, um auditor fiscal do Instituto Brasília Ambiental (Ibram-DF) registrou a ocorrência e informou que não foi encontrado registro do animal em nome do estudante no órgão fiscalizador. Disse ainda que o jovem mantinha uma página no Facebook sobre algumas espécies de cobras, que depois do ocorrido foi apagada. 

O Ibama disse em nota que acompanha o caso e que o criador não tem permissão para manter o animal em ambiente doméstico, uma vez que precisa ter autorização emitida por órgão ambiental estadual e seguir regras para a criação. A legislação só permite espécies não venenosas para esse fim.

(Com informações de Teo Cury, da CNN em Brasília)