Anonimato na internet contribui para aumento do tráfico de animais, diz ONG


Da CNN
31 de julho de 2020 às 14:15

Um levantamento da ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) identificou 3,5 milhões de mensagens envolvendo tráfico de animais silvestres em um período de cinco meses. Os anúncios desse comércio ilegal foram registrados em 250 grupos de WhatsApp. À CNN, o coordenador executivo da Renctas, Raulff Lima, afirmou, nesta sexta-feira (31), que esse tipo de crime tem aumentado muito no Brasil e que o perfil de atuação mudou por causa das redes sociais.

"A internet oferece a vantagem do anúncio ao traficante, que consegue alcançar um número muito maior de potenciais compradores, além do anonimato a partir de perfis falsos e sem nenhum tipo de penalidade para ele", explicou. "A questão do anonimato é uma grande vantagem, que vem fazendo essa quantidade enorme de animais serem anunciados", acrescentou.

Leia e assista também:

PF prende 4 suspeitos de tráfico de animais, em operação em cinco estados
Polícia vê indícios de tráfico de animais no caso de estudante picado por naja
Estudante picado por cobra naja é preso no DF

Para ele, a prática tem ficado mais fácil. "Hoje é muito fácil tirar um animal de São Paulo, por exemplo, e encaminhar para Brasília via serviços postais – como Sedex e transportadoras", disse, acrescentando que há táticas para que o animal chegue com vida após a viagem. 

PF investiga tráfico internacional de animais em cinco estados

PF investiga tráfico internacional de animais em cinco estados

Foto: Reprodução/CNN

Na manhã de quinta-feira (30), a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da operação Marraquexe, para desarticular uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de animais silvestres, exóticos e em extinção. Ao menos quatro suspeitos foram presos, um deles no interior de São Paulo e outro no Rio. Durante as buscas, os agentes encontraram tapetes de onças pintadas, ossos, canos e até peles de serpentes exóticas. O material foi recolhido pelo Ibama. 

(Edição: Leonardo Lellis)