Sem tornozeleira, Roger Abdelmassih é monitorado pela polícia há 2 dias

Um dos sinais de alerta para os policiais é o histórico de fuga do ex-médico

André Rosa e Pedro Duran, da CNN, em São Paulo
30 de agosto de 2020 às 17:25 | Atualizado 30 de agosto de 2020 às 17:37

Desde sexta-feira (28), viaturas do departamento de capturas da Polícia Civil de São Paulo estão em campana na região dos Jardins, área nobre da capital paulista. O endereço foi informado pela defesa de Roger Abdelmassih como sendo a residência onde ele iria morar quando ele foi liberado do regime fechado para prisão domiciliar.

A decisão de abril, no entanto, foi revertida pela 6ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. O documento foi publicado nos autos do processo na sexta, às 18h29.

Em abril, Abdelmassih havia sido liberado para cumprir a pena em casa por ter 76 anos de idade e problemas de saúde, por critérios “humanitários”.

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O Ministério Público deu alguns argumentos pra derrubar essa decisão. Entre eles, a natureza da condenação (49 crimes sexuais), a falta de comprovação de atendimento médico específico para fora da cadeia, e a pouca influência da pandemia no presídio de Tremembé.

O médico Roger Abdelmassih no retorno ao Brasil em 2014, após ser preso durante fuga no Paraguai (20.ago.2014)
Foto: Senad/Divulgação

“Diante desse quadro e da ausência de recomendação do médico oficial, no sentido de que o agravante não possa ser tratado no estabelecimento hospitalar penal, tem-se por indemonstrada a necessidade da prisão domiciliar”, disse o juiz relator do processo.

Mas quando foi liberado, Abdelmassih não colocou tornozeleira eletrônica. É que o contrato da Secretaria de Administração Penitenciária prevê apenas o uso do equipamento em regime semiaberto e não prisão domiciliar. Por isso, não há como garantir com precisão o paradeiro do ex-médico.

Paraguai

Um dos sinais de alerta para os policiais é o histórico de fuga do ex-médico. Abdelmassih fugiu para o Paraguai em 2011, mas foi recapturada em 2014. Ele mantinha uma vida de luxo e disfarces no país vizinho. Alguns membros da Polícia Civil de São Paulo apontam a ausência da tornozeleira e o histórico de fuga como “preocupantes”.

Justamente por isso, a demora entre a decisão da Câmara Criminal e a emissão do mandado de prisão preocupa o departamento de capturas. Reservadamente, policiais dizem que a cada hora que passa, as chances de uma nova fuga aumentam.

Advogado deixa a defesa

O advogado Antônio Celso Fraga que antes representava Roger Abdelmassih informou à reportagem da CNN que deixou a defesa. Ele alegou “motivo de foro íntimo”. No lugar, assumiu Larissa Sacco, ex-Procuradoria da República, e atual esposa do ex-médico.

A CNN tentou contato com Larissa diversas vezes, mas até agora não teve retorno.

Ex-médico Roger Abdelmassih quando foi preso no Paraguai, em 2014
Foto: Senad/Divulgação (20.ago.2014)