Dono de cão que teve patas decepadas vê justiça em nova pena para maus-tratos


Da CNN
11 de setembro de 2020 às 15:26 | Atualizado 11 de setembro de 2020 às 15:32

O tutor do Sansão, um cachorro da raça pitbull que teve as patas traseiras decepadas, falou à CNN, nesta sexta-feira (11), sobre a aprovação do projeto de lei 1.095/2019, que aumenta a pena para maus-tratos contra cães e gatos. Já aprovada no Congresso, a lei ainda depende de sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que contestou a punição mais rigorosa.

Defensor da maior punição, Nathan Braga de Souza comemora a aprovação do projeto e diz que a decisão é "de suma importância". "Sabemos que os animais precisam de muita ajuda no nosso país", disse. 

"O agressor do Sansão, por exemplo, saiu pela porta da frente da delegacia, então é muito triste e revoltante pensar que pessoas tenham esse tipo de comportamento, façam esse tipo de crueldade com um cachorro tão dócil", lamentou. 

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O cachorro Sansão, que teve duas patas decepadas ao ser agredido

O cachorro Sansão, que teve duas patas decepadas ao ser agredido e inspirou lei que prevê pena maior para maus-tratos a animais

Foto: Reprodução/Instagram/Todos por Sansão

Nathan reforçou que o agressor ainda não foi responsabilizado pelo crime e que, pela legislação atual, dificilmente será preso. "Ele torturou um animal e decepou as patas traseiras, mas pela lei do nosso país, está tranquilo, segue sua vida e vai embora. Animais têm sentimentos, sentem dor também e têm seus direitos, então estamos lutando pela aprovação", considerou.

Relembrando o crime, que ocorreu em julho deste ano, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o dono do animal disse que tratou-se de "uma barbaridade muito grande". "Ele estava em um estado de choque, perdeu muito sangue e teve que fazer várias transfusões", relatou.

De acordo com o tutor, Sansão tem contado com o apoio de organizações não governamentais dedicadas ao cuidado com animais, está fazendo fisioterapia e sendo muito bem cuidado. A recuperação do pitbull está sendo relatada nas redes sociais por meio de um perfil no Instagram, que já tem mais de 135 mil seguidores.

Bolsonaro decide

O PL foi aprovado nessa quarta-feira (9) em sessão remota no Senado e prevê que a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação a cães e gatos será punida com pena de reclusão, de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda. O projeto agora segue para ser sancionado ou vetado por Jair Bolsonaro.

Atualmente, a pena é de detenção, de três meses a um ano, e multa – dentro do item que abrange todos os animais. O projeto altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 1998) para criar um item específico para cães e gatos, que são os animais domésticos mais comuns e principais vítimas desse tipo de crime.

Na live dessa quinta-feira (10), Bolsonaro afirmou que vai lançar uma espécie de enquete no Facebook para decidir se vai sancionar ou não a proposta.

"O que eu pretendo fazer, vou colocar no meu Facebook, o texto da lei, para o pessoal fazer comentários. Só deixo avisado, quem for para a baixaria é banimento. Pode reclamar, a pena é excessiva, é grande, tem que sancionar, tem que vetar. Porque não é fácil tomar uma decisão como essa daí", disse o presidente.

Bolsonaro ainda fez uma comparação de que a pena para abandono de incapaz, como um recém-nascido, é de seis meses a três anos. Ele questionou, então, a opinião do presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, que avaliou que as duas penas para os diferentes crimes são baixas, já que considera que os animais também são "incapazes".

O pitbull Sansão, que ganhou cadeira de rodas adaptada para poder se locomover a

O pitbull Sansão, que ganhou cadeira de rodas adaptada para poder se locomover após ter as patas decepadas

Foto: Reprodução/Instagram/Todos por Sansão

(Com informações de Agência Senado e Estadão Conteúdo. Edição: Sinara Peixoto)