‘Questões ideológicas’ contribuíram com as queimadas no Pantanal, diz Salles


Noeli Menezes, da CNN, em Brasília
12 de setembro de 2020 às 20:21
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles: criação de gado na região poderia conter parte do fogo

Foto: Adriano Machado/Reuters (30.jan.2020)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reconheceu que as queimadas no Pantanal são “importantes” e que há “muito fogo” pela região. Porém, na visão do ministro, “questões ideológicas” contribuíram para o descontrole, como à perseguição à criação de gado no Pantanal.

“Existe uma medida chamada fogo frio, que é queimar propositalmente, de maneira controlada, para diminuir a quantidade de massa orgânica. Isso evita que o fogo no período de seca venha com força”, disse ele em entrevista ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

“Por diversas questões, inclusive ideológicas, esse manejo não foi feito nos últimos dois anos”, disse.

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De acordo com Salles, caso houvesse mais gado na região, eles comeriam a “massa orgânica” (folhagens e pastos) que acabam servindo como combustível para as queimadas. “O gado come a massa orgânica que serve de combustível para a queimadas. Com menos gado no pasto, esse material se propaga”,

Sobre as queimadas na Amazônia, ele voltou a dizer que é preciso “lembrar as questões sazonais, que acontecem todos os anos”. E disse que, apesar de a região ter sido “deixada para trás nos últimos 20, 30 anos pelos governos de esquerda, 84% da floresta está preservada em sua condição primária”.

Salles ainda disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha razão quando disse, durante o Fórum de Davos no início deste ano, que “o pior inimigo do meio ambiente é a pobreza”.

“As pessoas são cooptadas porque não têm perspectivas. A Amazônia é a região mais rica do país em recursos naturais com uma população com o pior IDH (índice de desenvolvimento humano). É pior do que o do Nordeste", disse ele.

Salles afirmou também que “fala-se muito de Acordo de Paris, mas, quando Brasil tenta vender crédito de carbono de origem florestal, encontra um mercado fechado”.