Aulas em universidades na cidade de São Paulo serão retomadas em 7 de outubro

Prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou também a retomada de atividades extracurriculares a partir da mesma data

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
17 de setembro de 2020 às 12:50 | Atualizado 17 de setembro de 2020 às 15:20

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) anunciou nesta quinta-feira (17) a retomada das aulas nas universidades na cidade de São Paulo a partir de 7 de outubro.

Também foi autorizada a retomada de atividades extracurriculares, a partir da mesma data para alunos de 0 a 17 anos, englobando toda a educação básica – das creches ao ensino médio.

O prefeito se reuniu na manhã desta quinta com sua equipe para tratar do tema. Em entrevista coletiva, Covas afirmou que a decisão de retomar as aulas no ensino superior foi tomada após análise das mais recentes fases do inquérito sorológico conduzido pelo município entre adultos e crianças.

"Várias atividades foram retomadas aqui na cidade. Temos um protocolo feito pelo governo do estado de São Paulo para retomada das aulas do ensino superior, respeitando, claro, a autonomia de cada universidade, respeitada a proporção e a quantidade de alunos e o distanciamento social", disse o prefeito.

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"Não tem mais sentido, com os dados que nós temos, continuar a proibir o ensino superior na cidade de São Paulo", completou.

Sobre a liberação das atividades extracurriculares, o prefeito comparou a medida à autorização, já em vigor, para cursos não regulares em escolas de inglês, de matemática e de idiomas estrangeiros.

"Estamos liberando as atividades extracurriculares respeitado também o protocolo já elaborado pelo governo do estado de São Paulo. É uma forma de a gente ir modulando, ir verificando como isso se dá na cidade de São Paulo para que a gente não tenha que retroceder", disse Covas.

Ele disse que a cidade continuará a realizar os inquéritos sorológicos tanto em adultos quanto em crianças para avaliar se manterá a mesma linha de atuação ou se será necessária outra posição a partir de novembro.

Covas afirmou ainda que tanto o governo municipal quanto o estadual, de João Doria (PSDB), têm sofrido "pressão de tudo quanto é lado, de tudo quanto é forma" em relação ao tema da educação e da volta às aulas.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anunciou a retomada das aulas de ensino superior a partir de 7 de outubro
Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP/ YouTube

"É exatamente a (...) certeza de que estamos fazendo o que é recomendado pela área da saúde que nos dá a tranquilidade de que estamos no caminho certo. Sabendo que muitas vezes a gente não atende a solicitação ou exigência deste ou daquele grupo, continuamos a ter a vida como bem principal a ser protegido, a ser tutelado. Tem sido assim desde o início da pandemia na cidade de São Paulo e vai continuar assim enquanto eu for prefeito."

Também presente na coletiva, o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, disse que sua prioridade é "sempre ter os estudantes nas salas de aula", mas que esse tema só pode avançar com o aval da área da saúde.

"Abrir as escolas para atividades extracurriculares tem sido um passo importante nas cidades que já iniciaram. Temos bons exemplos, um aprendizado sendo realizado, uma formação aos profissionais", a firmou.

"Essa será uma experiência importante no mês de outubro para que a gente continue avaliando e, com certeza, avançando com a saúde em primeiro lugar."

A prefeitura de São Paulo também reabrirá 110 Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs) a partir de 7 de outubro, onde serão realizados 14 mil atendimentos socioemocionais.

"Temos preocupação grande com relatos cada vez maiores de agressão infantil, gravidez precoce, problema grave nas áreas de maior vulnerabilidade da cidade de São Paulo. Só a secretaria de Saúde já tem o relato de 5 mil crianças vítimas de violência doméstica", disse o prefeito.

Sobre esse pronto, Soares disse que a prefeitura de São Paulo está "dando um grande exemplo com a medida". "Todas as pesquisas tem indicado traços de depressão, de angústia, problemas que são muito sérios para essa geração."

Inquérito sorológico

Inquérito sorológico em São Paulo mostrou aumento de casos da Covid-19 nas regiões com maior IDH
Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP/ YouTube

Ao apresentar os dados sobre as mais recentes etapas do inquérito sorológico conduzido em São Paulo, o secretário da Saúde, Edson Aparecido, afirmou que a prevalência do novo coronavírus entre a população adulta da cidade subiu de 11% para 13,9%.

"Estima-se que 1,44 milhão de pessoas maiores que 18 anos têm anticorpos para Sars-Cov-2", disse o secretário, detalhando que a incidência da doença se dá, principalmente entre pessoas de 18 a 34 anos (15,4%) ante as pessoas de 35 a 49 anos (14,6%).

Em relação ao poder aquisitivo, as classes D e E são as mais atingidas, com 18,7% das infecções, 6 vezes mais que as classes A e B (3,1%). Na divisão étnica, a doença afeta princialmente pretos e pardos (17,4%).

"É uma doença que traz luz à desigualdade social que temos na cidade de São Paulo, com maior prevalência em locais com população menos escolarizada, com maior número de pessoas pretas ou pardas", completou o prefeito da capital.

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Os dois falaram também sobre o aumento das infecções nas regiões do centro expandido com maior IDH, principalmente na região centro-oeste da cidade.

"[Aumento] na ordem de 53% da fase 4 para a fase 5 nessa região. Saltou de 6,2% para aproximadamente 10% os infectados. Nas área de IDH intermediário, o crescimento foi de 1,1 ponto porcentual [de 12,1% para 13,2%]. Já nas áreas de IDH baixo o aumento foi de de 5,9 p.p. [de 13,2% para 19,1%]", detalhou o secretário da Saúde.

Já entre as crianças, a terceira fase do inquérito sorológico estimou que 244.242 delas já tem anticorpos para Covid-19, equivalente a 16,5% do total de alunos da cidade de São Paulo.

A coleta dos exames foi realizada entre os dias 1 e 3 de setembro e teve, pela primeira vez, estudantes de escolas particulares e estaduais do município – nas duas primeiras etapas, foram avaliados apenas alunos da rede pública municipal.

Estudo mostrou que prevalência da doença foi quase 50% menor entre alunos de escolas particulares
Foto: Reprodução/ Prefeitura de SP/ YouTube

O secretário informou que a prevalência da doença entre alunos de escolas particulares foi quase 50% menor do que em relação às escolas municipais e estaduais: 9,7 ante 17,2% na rede estadual e 18,4% na rede municipal.

"Pelo exposto aqui, é importante ressaltar que é muito grande a preocupação da prefeitura por conta dos estudos apresentados e das recomendações da nossa área de saúde, da vigilância sanitária com a questão da volta às aulas", afirmou Covas, ao comentar o resultado do inquérito entre as crianças.

"Estamos falando de 2,5 milhões de alunos. A proporção de assintomáticos bem maior entre crianças quando comparados a adultos – cerca de 70% e 40%, respectivamente. [Por isso] há o receio de um segundo pico da doença caso essa atividade volte de forma integrada na cidade de São Paulo de uma hora para a outra."

"É preciso modular, ter a devida precaução com a saúde não apenas dos nossos alunos, mas dos professores e familiares", finalizou.