Salles: 'Pobreza é sinônimo de desrespeito ao meio ambiente'

Ministro afirmou que a maior incidência de casos de desrespeito às questões ambientais é registrada em locais 'onde não há prosperidade'

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
21 de outubro de 2020 às 12:23


O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nesta quarta-feira (21), em entrevista à CNN Rádio, que "pobreza é sinônimo de desrespeito ao meio ambiente". Ele afirmou que a maior incidência de casos de desrespeito às questões ambientais é registrada em locais "onde não há prosperidade", e ressaltou a importância do desenvolvimento econômico sustentável.

"Aquela frase do ministro Paulo Guedes em Davos de que a miséria é o maior inimigo do meio ambiente, ele está coberto de razão", destacou. "Se nós olharmos para os países mais ricos do mundo, têm menos problemas ambientais. Se olharmos para as regiões dos países mesmo aqui da América do Sul, as regiões mais ricas têm menos problemas ambientais", continuou ele. "Fica claro que a maior incidência de desrespeito às questões ambientais ocorre em locais onde não há prosperidade."

O ministro disse ainda que é importante haver o desenvolvimento econômico sustentável, "gerar atividades que sejam, ao mesmo tempo, fonte de emprego e renda para as pessoas e que respeitem o meio ambiente". "Para isso nós temos que ter atração de investimento privado nessas áreas. Isso serve para a Amazônia e para qualquer outro bioma."

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles
Foto: Dida Sampaio - 12.mai.2020 / Estadão Conteúdo

Retardantes de chamas

Com relação ao uso de retardantes químicos para combater os incêndios florestais, prática criticada por ambientalistas, Salles voltou a defender a utilização das substâncias e afirmou que as críticas são "infundadas".

"O retardante tem uma composição parecida com fertilizantes. Ele é utilizado somente nos pontos onde está pegando fogo. Na Chapada dos Veadeiros, utilizou-se para extinguir o fogo de uma vez" e, no dia seguinte, ele foi declarado extinto, disse Salles.

O ministro ressaltou que esses retardantes são utilizados no mundo inteiro e que o Ibama decretou que é de baixo potencial tóxico. Vale ressaltar que o instituto possui notas técnicas com restrições ao uso desses produtos em ações brigadistas, recomendando inclusive a suspensão do uso da água, da pesca e do consumo de alimentos produzidos em regiões que recebem os retardantes de fogo.

Queimadas

Sobre as chamas, Salles disse que "é uma conjunção de fatores que leva a essa circunstância do aumento das queimadas neste ano". Para ele, 2020 foi muito mais seco que o normal e no Pantanal, por exemplo, as temperaturas são as maiores dos últimos 70 anos. Além disso, há baixa umidade e ventos fortes, fatores que ajudam na propagação do fogo, segundo o ministro.

"Tem focos espalhados. O que é preciso ter são ações de prevenção e combate às queimadas de maneira eficiente. E a conscientização da sociedade como um todo de que não se deve fazer queimadas em período seco", afirmou.

Questionado sobre as críticas recebidas pelo governo pela atuação no combate às chamas, o ministro disse que é preciso entender quais são as competências funcionais para cada tipo de atuação.

"Os órgãos federais, Ibama e ICMBio atuam principalmente nas unidades de conservação federais, terras indígenas e assentamentos do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]. Quem fiscaliza fogo em área privada é autoridade estadual", afirmou. "Essa responsabilidade é dos estados, não é do governo federal."