PF: grilagem e madeira ilegal são principais causas de desmatamento na Amazônia

Delegado da PF no Amazonas fala sobre os impactos desse tipo de atividade no bioma amazônico

Rodrigo Viga Gaier, da Reuters
22 de outubro de 2020 às 17:59

Área de extração de madeira na região de Apuí (AM)

Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Em meio a um debate internacional sobre a preservação da Amazônia, o superintende da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, afirmou nesta quinta-feira (22) que a causa principal do desmatamento da região amazônica é a grilagem de terra e a extração ilegal de madeira.

Para o delegado, a cobrança que existe sobre o produto agropecuário brasileiro é cercada de oportunismo e é preciso “pisar no barro“ para conhecer a realidade de perto da Amazônia.

“Se observarmos as áreas desmatadas supostamente para produção agropecuária em Roraima e no Amazonas, é que essas áreas foram degradadas, mas não servem para produção agrícola ou agropecuária, é uma terra destruída após a grilagem de terra para que a madeira seja negociada”, afirmou Saraiva.

“Esse processo de destruição da Amazônia para o tráfico internacional de madeira é a mola mestra dessa dinâmica e é feito por uma organização criminosa com tentáculos em vários segmentos da sociedade e do serviço público”, frisou.

Segundo ele, alguns grupos e pesquisadores apontam equivocadamente a produção agropecuária como o principal motivo para o desmatamento da Amazônia.

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“Por que que se tem a impressão de que o que destrói a Amazônia é a agropecuária? Quando eu vim trabalhar aqui na Amazônia há 10 anos eu também pensava assim e não estou dizendo que a agropecuária não tenha sua cota de responsabilidade”, disse ele em um evento do BNDES sobre meio ambiente.

“O que acontece hoje é que grande parte do desmatamento é promovida por uma organização criminosa que a sociedade a confunde com o agricultor. O madereiro ilegal não é agricultor ou de gado; é apenas um ladrão de um bem público”, acrescentou.

O delegado da PF argumentou ainda que muitos pesquisadores que estudam a região amazônica mas não vão às áreas degradadas se baseiam em documentos das secretarias de ambiente regionais que são fraudados por grileiros e exploradores de madeira que obtêm licenças para uso alternativo do solo, mas acabam na verdade se apossando da terra e derrubando árvores para a extração ilegal de madeira. Muitas dessas terras, depois da destruição são abandonadas.

“Nós devemos nos concentrar e nosso esforço tem que ser contra a grilagem de terra, contra o furto de madeira que pertence à União”, salientou.