Cursos de ensino superior a distância crescem 378,9% nos últimos 10 anos

Dados do Inpe mostram evolução no Brasil; mais de 2 milhões de pessoas se matricularam em curso superior a distância em 2019

Tainá Farfan e Bruno Silva, da CNN, em Brasília
23 de outubro de 2020 às 09:30 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 13:20

 

Os cursos a distância já correspondem a 43,8% dos alunos das 2.608 instituições de ensino superior no Brasil. Apenas entre 2009 e 2019, o número de ingressos nos cursos a distância teve um salto de 378,9%.

Porém, no último ano, as instituições de ensino superior formaram 14.212 pessoas a menos que o ano anterior no país. Os dados são do Censo da Educação Superior 2019, divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, destacou que o estudo mostra que, com a ampliação da procura pelo ensino a distância e o aumento da taxa de evasão, “chegou o momento de uma revisão, de repensar o sistema de avaliação do sistema superior no Brasil”. Ele ainda comentou que o impacto da pandemia deve acelerar a tendência de migração para o ensino a distância.

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Foto: Álvaro Henrique/Divulgação/Secretaria de Educação

“Estamos desenvolvendo grupos de trabalho com representantes de instituições que entendem a educação digital para criar uma política de educação digital e atingir um número maior de estudantes com a mesma qualidade do ensino presencial”, explicou o secretário de educação superior do MEC, Wagner Vilas Boas.

O estudo mostra ainda que os cursos presenciais têm uma média de conclusão acumulada em dez anos melhor que os cursos a distância. A taxa de desistência acumulada dos cursos à distância ficou em 64% em 2019.

“Temos que aumentar a retenção nos cursos. Uma estratégia seria se, ao longo do ensino médio, o aluno começar a focar na sua área de interesse e ter maior proximidade com o mercado de trabalho. Provavelmente assim ele já vai ter maior certeza ao entrar no ensino superior e isso pode diminuir essa taxa de evasão”, afirmou o presidente do Inep.

Em 2019, 3,6 milhões de alunos ingressaram em cursos de educação superior, sendo 84,6% em instituições privadas. A rede particular cresceu mais no Brasil: 87,1% nos últimos 10 anos, enquanto a rede pública cresceu apenas 32,4% no mesmo período.

Entre 2009 e 2019, o número de matrículas em cursos de ensino superior aumentou 43,7%, subindo de 5.985.873 matriculados no Brasil em 2009, para 8.604.526 em 2019.

Os cursos de tecnólogo têm sido a preferência de quem procura um ensino superior. Nos últimos 10 anos, a categoria registrou um aumento 132,5%. Entre 2018 e 2019, também foi o grau que teve maior aumento, com 14,1%. Apesar disso, os cursos de bacharelado continuam concentrando a maioria dos estudantes da educação superior, com 57,1%. Em seguida, aparecem os cursos tecnólogos, com 22,7% e, por fim, os de licenciatura, com 20,2% dos alunos de ensino superior.

O aumento do número de alunos em instituições de ensino superior entre 2018 e 2019 é causado apenas por causa dos cursos a distância. O número de alunos em instituições de ensino superior aumentou 15,9% em cursos à distância e diminuiu 1,5% nos cursos presenciais.

Em 2019, foram oferecidas mais de 16,4 milhões de vagas em cursos de graduação no país.
De um total de 2.608 instituições de educação superior no Brasil, 84,4% (2.306) são particulares e 11,6% (302) são públicas. Os cursos presenciais predominam a educação superior no Brasil, com 87,6%.

“A educação superior anda lado a lado com a educação básica... Se na educação básica o MEC tem papel apenas de direcionador, na educação superior somos grande mantenedor da rede federal de ensino formada pelas universidades e pelos institutos federais. Também somos responsáveis pela melhoria da qualidade da educação superior, pela orientação e expansão da sua oferta, pelo aumento permanente de sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. Também está na missão institucional do MEC a supervisão e a regulação do Sistema Federal de Educação Superior que inclui a rede privada”, disse o ministro da Educação Milton Ribeiro.