Estou cansado de seguranças me perseguindo no supermercado, diz manifestante


Da CNN, em São Paulo
20 de novembro de 2020 às 22:35 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 22:36


 

Urano Souza, aposentado de 72 anos, era um dos diversos manifestantes presentes nos atos do Dia da Consciência Negra em São Paulo e chegou ao supermercado Carrefour, alvo de protesto pelos manifestantes, após o ocorrido e falou com a CNN.

“Gostaria de dizer que isso [a depredação] está errada, mas precisamos a partir disso discutir a causa desses atos. Eu sou negro e essa coisa do racismo estrutural existe, estou cansado de entrar no mercado e o segurança ficar me seguindo,” disse Urano.

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“O segurança é para dar segurança a todos, mas a impressão que temos é que ele esta lá para colocar medo nas pessoas. Ele nao segue um branco cristão ocidental, eles perseguem os negros.”

Urano disse que o a morte de um homem negro em supermercado em Porto Alegre foi apenas mais um caso como tantos outros similares, com a diferença que este foi gravado e difundido. Terminou criticando a fala do vice-presidente, Hamilton Mourão, de que não existe racismo no Brasil.

“Mourão disse hoje que não existe racismo, mas sim desigualdade. Ele poderia perguntar a causa da desigualdade.”

(Publicado por Marcio Tumen Pinheiro)