PM de Porto Alegre abre processo para demitir envolvido na morte de João Alberto

Defesa de Giovane Gaspar da Silva terá 3 dias para apresentar sua defesa; advogado diz que objetivo é garantir que ele responda a um procedimento justo

Bruna Ostermann, da CNN, em Porto Alegre
23 de novembro de 2020 às 11:05 | Atualizado 23 de novembro de 2020 às 12:38


A Polícia Militar de Porto Alegre já abriu Procedimento Administrativo Disciplinar para demitir Giovane Gaspar da Silva, o PM temporário que trabalhava como segurança no Carrefour e foi um dos responsáveis pelas agressões a João Alberto Silveira Freitas, na quinta-feira (19). O prazo para defesa é de três dias a partir desta segunda-feira (23).

De acordo com David Leal, advogado do suspeito, o objetivo da defesa não é, necessariamente, manter o emprego do cliente na corporação, mas sim garantir que ele responda a um procedimento justo. 

O defensor falou que Giovani contou pra ele que, no dia do fato, foi apenas chamado para atender a uma situação porque um senhor estava tendo desavenças com uma funcionária. 

Leal diz que, na versão de seu cliente, ao questionar João Alberto se havia algum problema, a vítima teria respondido com olhar hostil e saído caminhando. Disse que a vítima deu um soco no PM sem motivo aparente e que parecia estar sob efeito de alguma substância química. 

Assista e leia também:
Empresa demite por justa causa vigilantes envolvidos na morte de João Alberto
Para reitor da Zumbi dos Palmares, caso João Alberto é racismo estrutural
Corpo de João Alberto, morto em supermercado, é enterrado em Porto Alegre
Companheira de homem morto no Carrefour diz que tentou ajudar, mas foi impedida

Crime aconteceu na unidade do Carrefour do bairro de Passo D'Areia, em Porto Alegre
Foto: Reprodução / Google Street View

O advogado destacou que seu cliente não teve intenção de matar a vítima e que o objetivo era apenas conter o homem. Por fim, informou que pretende apresentar nesta segunda um pedido para que Silva responda ao inquérito em liberdade – o PM temporário está em quarentena, numa área de triagem no Presídio Policial Militar. 

A delegada Roberta Bertoldo, do 2º Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre, informou que os agentes da Delegacia de Homicídio trabalham ininterruptamente desde a quinta-feira, coletando provas e ouvindo testemunhas e que outros dados sobre a investigação só serão dados ao final da apuração.

Nesta segunda-feira (23), devem ser ouvidas 8 testemunhas do caso – desde que quinta, a polícia civil de Porto Alegre já ouviu cerca de 20 outras pessoas.