Nova fábrica da Fiocruz custará R$ 6 bi e pode quintuplicar produção de vacinas

Do total previsto para a obra do novo complexo, R$ 4,5 bilhões serão da iniciativa privada e os outros R$ 1,5 bilhão públicos. 

Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro
28 de janeiro de 2021 às 16:04 | Atualizado 28 de janeiro de 2021 às 16:11
Nova fábrica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será na região de Santa Cruz
Foto: Erasmo Salomão/Divulgação/MS

A licitação para as obras do futuro Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde da Fiocruz, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, está prevista para fevereiro. A nova unidade, localizada em uma área de 580 mil metros quadrados, vai quintuplicar a capacidade de produção da instituição e custará R$ 6 bilhões.

As informações foram anunciadas nesta quinta-feira (28) pela vice-diretora de gestão e mercado do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), Priscila Ferraz, durante uma reunião da Comissão de Representação da Câmara do Rio de Janeiro para o Desenvolvimento Econômico e Tributário. 

O objetivo do encontro era debater como o município pode se beneficiar ainda mais desse projeto, estabelecendo uma cadeia de suprimentos para atender às demandas do novo estabelecimento e gerando mais empregos.

A produção do complexo atenderá o Plano Nacional de Imunização (PNI) e servirá também para ampliar a capacidade brasileira de atender os mecanismos de solidariedade internacional, como a Unicef, agência das Nações Unidas para a infância, e a OPAS, braço da Organização Mundial da Saúde nas Américas. 

Dos R$ 6 bilhões previstos para a obra do novo complexo, R$ 4,5 bilhões serão da iniciativa privada e os outros R$ 1,5 bilhão públicos. 

“O campus em Manguinhos já está condensado e, por isso, estamos expandindo para Santa Cruz. Nós fornecemos mais de 547 milhões de doses de vacinas nos últimos cinco anos. Isso tem uma cadeia, com frascos, rolhas e material gráfico. São vacinas para 75 países, 13 milhões só de doses para a febre amarela nos últimos cinco anos. Temos vacinas como a ANR, que tem demanda mundial de quase 1 bilhão de doses por ano, para erradicação de doenças na África e em regiões das Américas”, afirmou Ferraz. 

Priscilla Ferraz lembrou também a produção do Instituto Serum, da Índia, do qual o Brasil importou 2 milhões de doses da vacina de Oxford, para lembrar a importância do investimento no novo distrito industrial de Santa Cruz. O projeto prevê a geração de 5 mil empregos diretos na obra e 1,5 mil no funcionamento da unidade. 

“Vamos fornecer mais de 300 milhões de doses para o PNI esse ano. Por isso, precisamos contar com uma cadeia de fornecedores que existe, mas que tem uma demanda por insumos, que é global. Lidamos com falta de autonomia. É um projeto estratégico”, explicou.  

Revolução tecnológica

O economista Carlos Gadelha, coordenador do grupo de pesquisa do complexo da Fiocruz, defendeu que o setor é muito dinâmico e pode representar a entrada do Rio de Janeiro na quarta revolução tecnológica. A previsão é que o complexo comece a funcionar em 2023. 

“A saúde é uma agenda estratégica para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. A quarta revolução industrial define que tipo de serviços vão gerar mais valor agregado e como vamos nos posicionar na cadeia global de valor, gerando maiores salários, emprego e renda. É entender o SUS como uma grande oportunidade de investimento público e privado. É a área social puxando uma agenda de inovação e desenvolvimento econômico. Essa coisa de o bem-estar não caber no PIB é o inverso, o bem-estar é uma solução para crescimento e dinamização do PIB”, analisou Gadelha. 

Pelo município, participou do encontro o secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões. Ele reconheceu os problemas de infraestrutura da região, e afirmou que as secretarias de Infraestrutura e Conservação trabalham na elaboração de um projeto para a área, que será discutido com os setores envolvidos e, depois, o município irá em busca de recursos junto à iniciativa privada para implementá-lo. 

“Temos um problema de infraestrutura local que não só é ruim, é inexistente. Já foi apresentado aqui na comissão o estado de falência da prefeitura, de caixa e orçamentários. Todos os esforços estão sendo feitos para o pagamento da folha salarial”, afirmou Bulhões.