Covid: Pesquisa diz que 73,9% das cidades brasileiras mantêm medidas restritivas

Especialistas destacam que a rigidez das restrições precisa ser observada; em alguns casos, as medidas podem não ser suficientes ou adequadas para o momento

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
31 de maio de 2021 às 14:51 | Atualizado 31 de maio de 2021 às 14:52
Rio de Janeiro
Na última semana, a cidade do Rio de Janeiro relaxou as medidas restritivas liberando rodas de samba e sem limite de horário para música ao vivo
Foto: Rafael Sacharny/Immagini/Estadão Conteúdo (31.maio.2021)

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostrou que três em cada quatro cidades do Brasil ainda mantêm medidas restritivas de circulação ou de atividades econômicas com o intuito de conter o avanço da pandemia de Covid-19. De acordo com os dados, isso representa 73,9% dos municípios do Brasil.

A pesquisa contou com 2.831 gestores municipais e foi realizada entre 24 e 28 de maio. Segundo o CNM, 24,9% das cidades não adotaram medidas como fechamento de serviços não essenciais e outras ações.

Sanitarista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Bianca Leandro afirmou à CNN que o número divulgado pela CNM é positivo. Entretanto, ela questionou a rigidez das restrições impostas pelas cidades.   

“Precisamos olhar com cuidado esse número para não parecer que todas as cidades estão com as mesmas medidas sanitárias. O número é bom, mas existem muitos municípios que possuem restrições vigentes, porém não suficientes e adequadas para o momento”, alertou.

Escassez da vacina

A pesquisa divulgada pela CNM também apontou que 28% dos municípios brasileiros já registraram escassez de imunizantes em algum momento durante a pandemia do novo coronavírus. 

Professora de epidemiologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gulnar Azevedo alertou que essa falta de doses impede uma melhora na situação pandêmica. 

“Essa falta de vacina, de fato, impede que a gente progrida para uma condição de maior segurança e controle da doença. O ideal é que não houvesse escassez, pois é a única solução para terminar com essa situação”, ressaltou. 

Outro dado do levantamento é sobre a vacinação de profissionais da área de educação. A imunização deles começou em 48% dos municípios que informaram seus dados. Para  51% dos participantes da pesquisa, a vacinação desses profissionais é pré-requisito para a retomada das aulas presenciais.