PF prende mulher de Ronnie Lessa por tráfico internacional de armas

É a segunda vez que Elaine Lessa é detida. Ela foi presa por obstruir provas do assassinato de Marielle Franco há dois anos

Iuri Corsini e Thayana Araújo, da CNN, no Rio de Janeiro
18 de julho de 2021 às 20:05 | Atualizado 18 de julho de 2021 às 21:39
Viatura da Polícia Federal
Polícia Federal deflagrou operação contra desmembradores do TRT no Rio na manhã desta terça-feira (2)
Foto: CNN Brasil

Pela segunda vez, Elaine Lessa, mulher de Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco foi presa. O fato aconteceu neste domingo (18), no Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Federal, a acusação agora é de tráfico internacional de armas.

De acordo com as investigações do Ministério Público Federal (MPF) , o casal Lessa era sócio de uma academia controlada pela milícia, e o estabelecimento era o destinatário final de uma encomenda suspeita apreendida pela Receita Federal no Aeroporto do Galeão, no Rio, em 2017.

No carregamento havia 16 quebra-chamas para fuzil AR-15, peça usada  para ocultar as chamas decorrentes de disparos de armas de fogo o que dificulta a identificação do atirador.

A defesa de Elaine alega que o material apreendido com ela era para ser utilizado em arma de Airsoft, um esporte de simulação de combates militares com uso de armas não letais.

O advogado Bruno Castro disse que mesmo se fosse ilícito, o equipamento pertencia à Ronnie Lessa e não à Elaine. A defesa classificou a prisão como um “verdadeiro estado de exceção” em relação a “tudo que envolve o caso”. 

“O material apreendido não é ilícito. Não se trata de quebra-chamas; mas sim de freio de boca, como descrito na própria embalagem do produto. O equipamento é utilizado em brinquedo de airsoft. De todo modo, ainda que fosse ilegal, em relação à Elaine Figueiredo, o próprio Delegado Federal entendeu que ela não tinha qualquer envolvimento com o possível comércio ilegal de armas e que o material era de propriedade exclusiva de Ronnie Lessa. No entanto, o MPF e a Justiça Federal entenderam o contrário, e a prisão dela foi decretada”, diz trecho da nota 

O pacote de quebra-chamas apreendido com Elaine Lessa é usado em fuzis AR-15 e serve para dissimular as chamas decorrentes dos disparos de arma de fogo, segundo a Polícia Federal. Com o objeto, a posição do atirador não é revelada.

Esse pacote, que foi inicialmente interceptado pela Receita Federal, em 2017, tinha como destino a Academia Supernova, localizada na comunidade de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, controlado pela milícia ligada à Ronnie Lessa. Ele e Elaine eram sócios do estabelecimento, segundo a denúncia do MPF. 

Menos de uma semana em liberdade

Ao ser detida, a mulher do suspeito de matar a vereadora Marielle Franco foi levada para a sede da Polícia Federal, no centro do Rio de Janeiro, encaminhada posteriormente ao Instituto Médico legal (IML) e depois seguiu para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, também na capital, onde vai passar a noite deste domingo (18). Elaine deve ser transferida para o presídio feminino, na cidade de Niterói, esta semana.

Além de Elaine, Ronnie Lessa também teve uma nova prisão decretada por tráfico internacional de armas. Apontado pela Polícia Civil do Rio como o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018, Lessa está preso preventivamente, desde 2019, em uma unidade de segurança máxima.

A mulher, Elaine Lessa, já tinha sido presa dois anos atrás por suspeita de obstruir provas e o trabalho da justiça em relação ao assassinato de Marielle Franco, mas foi solta no último dia (12). A segunda prisão aconteceu em menos de uma semana de sua liberdade.