25 mil estudantes abandonaram atividades escolares no último bimestre no RJ

Estimativa é do secretário municipal de Educação. No Rio, as aulas 100% presenciais são retomadas, mas alunos continuam podendo optar pelo ensino à distância

Beatriz PuenteIsabelle Salemeda CNN

No Rio de Janeiro

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O secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, calcula que 25 mil estudantes da rede pública municipal deixaram de comparecer às aulas presenciais e não entregaram os trabalhos sugeridos nas aulas pela internet no último bimestre.

A pasta tem feito busca ativa para evitar que a evasão escolar seja ainda maior. Segundo Ferreirinha, ainda não se pode calcular quantos alunos realmente abandonaram a escola.

A partir desta segunda-feira (18), quase metade dos 644 mil alunos da rede pública municipal pode retomar as atividades 100% presenciais. Os alunos em alfabetização e nas séries de transição para outro segmento são prioridade.

Já na próxima semana, todos os estudantes da rede poderão estar presentes nas escolas ao mesmo tempo. O distanciamento entre as carteiras foi dispensado, mas o uso de máscaras de proteção facial segue obrigatório para todos os alunos acima de 3 anos.

A orientação é para que os cuidados de higiene pessoal também permaneçam. No entanto, quem não se sentir seguro para retornar poderá continuar a acompanhar as aulas pela internet.

“Faço um apelo às famílias, aos pais. Obviamente, se a criança tiver comorbidade, não puder ir presencialmente, a opção remota continuará. Mas já passou da hora de retornar”, disse Ferreirinha.

Aulas presenciais

O Rio de Janeiro é um dos 13 estados que oferecem aulas presenciais de forma não obrigatória. Mesma decisão foi tomada no Distrito Federal.

Em outros 13 estados, como São Paulo, Mato Grosso e Bahia, os alunos das redes estaduais precisam estar presentes nas escolas. Em Alagoas, as aulas presenciais também serão obrigatórias.

De acordo com o segundo secretário da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, o momento no país é de baixo risco de contaminação pelo novo coronavírus.

“No Brasil quando se fala em volta às aulas de maneira presencial e total, obrigatória, nós estamos falando de abrir mão do distanciamento. Não são todas as escolas que têm distanciamento, espaço físico suficiente para o distanciamento, muitas escolas não têm ventilação, escolas no Brasil até sem água encanada e pias adequadas para a lavagem de mãos. Mas acho que o momento hoje, de taxa de transmissão, que é o maior indicador, mais do que o número de vacinados, a quantidade de vírus circulando na população é pequena, o que pode, sem abrir mão do uso de máscaras, sem abrir mão da lavagem de mãos, sem abrir mão da proteção dos professores com equipamento de proteção adequado, voltar a aula com um risco muito pequeno”, afirmou o médico.

Sindicato pede modelo híbrido

Mesmo assim, o Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe) não concorda com as aulas 100% presenciais.

“Para a maior segurança de nós, profissionais da educação, sobretudo dos estudantes da rede municipal e dos seus responsáveis, é importante que a gente mantenha o modelo híbrido, o revezamento na ida às unidades escolares. Isso garante uma possibilidade maior de higienização dos refeitórios entre uma turma e outra que vai se alimentar, isso garante que a gente ainda mantenha algum distanciamento entre os alunos, não tenham as salas superlotadas, que infelizmente é uma realidade da nossa rede. E, portanto, alguma sensação de segurança, tanto para os profissionais tanto para os estudantes e a possibilidade de um ambiente mais tranquilo para o processo de aprendizagem”, disse Duda Quiroga, secretária de assuntos educacionais do Sepe fluminense.

Já a diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afirma que a retomada é necessária, uma vez que as perdas foram muito grandes por conta da pandemia.

“As perdas que alunos tiveram com tanto tempo de fechamento de escolas ou escolas em rodízio foi muito grande. Agora, nesse retorno, vai ser muito importante, assegurar que todos possam aprender e especialmente acelerar o retorno obrigatório, para fazer com que algumas crianças que se envolveram em trabalho infantil ou que desconectaram das escolas possam ser trazidas, com apoio do Ministério Público, do Conselho Tutelar, de volta às salas de aula”, explicou Claudia Costin.

Segundo a diretora do Centro de Políticas Educacionais da FGV, é importante olhar neste momento para a saúde mental dos alunos.

“Foi um tempo muito desafiador, muita gente adoeceu, muitas crianças perderam entes queridos. Há uma situação de orfandade, de órfãos gerados pela Covid que precisa ser analisada”, concluiu.

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