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    A Enel mente, diz prefeito de SP à CNN sobre falta de energia na cidade

    Presidente da companhia falou que a prefeitura precisava retirar árvores para reparo do serviço ser feito; Ricardo Nunes (MDB) diverge

    Leonardo Rodriguesda CNN

    São Paulo

    Para o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), a Enel, responsável pela distribuição de energia na cidade, mente ao alegar que a administração pública teria que retirar árvores caídas para que a companhia possa realizar reparos na rede.

    A declaração que Nunes classifica como mentirosa foi feita pelo presidente da empresa, Max Xavier Lins, em entrevista à CNN na noite de terça-feira (7).

    Na ocasião, 107 mil imóveis seguiam sem energia na área atendida pela Enel na data prometida pela empresa para retomada do serviço. Nesta manhã, 11 mil clientes ainda estavam sem fornecimento de energia elétrica, de acordo com a empresa.

    Segundo o prefeito, a lógica é inversa: a companhia deve desligar a energia para que as árvores sejam removidas com segurança — caso contrário, as equipes responsáveis ficariam sujeitas a choques elétricos.

    Nunes disponibilizou à CNN uma lista de 30 locais em que árvores permanecem caídas até a interrupção. Veja:

    Lista de locais que a Prefeitura de São Paulo alega não poder realizar poda, corte ou retirada de árvores caídas sem antes ocorrer uma ação da Enel
    Lista de locais que a Prefeitura de São Paulo alega não poder realizar poda, corte ou retirada de árvores caídas sem antes ocorrer uma ação da Enel / Reprodução/CNN

    O emedebista reiterou que a administração entrará com uma ação judicial por danos coletivos contra a distribuidora, devido ao descumprimento do prazo.

    Procurada pela CNN, a Enel respondeu que “não irá se manifestar” sobre as declarações do prefeito.

    “Não sou apaixonado pela privatização”

    Em meio aos prejuízos causados pelo apagão no estado, críticas às privatizações chegaram à proposta que envolve a Sabesp, a ponto de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendê-la publicamente.

    Questionado na entrevista, Ricardo Nunes disse não ser um defensor das privatizações de forma geral.

    “Se houver uma privatização que tenha antecipação de investimentos e não tenha aumento de tarifa, não tem lógica eu ser contra”, acrescentou, concluindo que o “exemplo negativo de uma empresa” não deve servir para generalizar a discussão.

    “Cidade não terá uma nova taxa”

    Na segunda-feira (6), durante coletiva de imprensa em que um plano de contingência para eventos extremos foi anunciado, o prefeito chegou a mencionar a proposta de enterrar fios elétricos na capital como forma de evitar novas faltas de luz generalizadas.

    Nesta quarta, Nunes esclareceu que a administração já promove o enterramento da fiação “sem cobrar de ninguém”.

    Segundo ele, a criação de tributos não está em seu perfil de governo: “Não existe possibilidade de criação dessa taxa”.

    O prefeito ressaltou, contudo, que o enterramento de todos os fios da cidade exigiria um investimento na casa dos R$ 60 bilhões, o que inviabiliza o processo. “Eu tenho no máximo R$ 200 milhões para fazer”, concluiu.

    Relembre: SP ainda tem 107 mil clientes sem luz e Enel não garante volta da energia dentro do prazo