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    Eleições 2022

    A poucos dias do Enem, professores analisam como eleições podem impactar a prova

    Exame será realizado nos dias 13 e 20 de novembro; professores reiteram a importância de não utilizar a redação para manifestações partidárias

    Aluno se prepara para realizar a prova do Enem
    Aluno se prepara para realizar a prova do Enem LUIS LIMA JR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Anna Gabriela Costada CNN

    em São Paulo

    A primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acontece em 13 de novembro, duas semanas após o segundo turno das eleições. Nessa fase, os alunos terão que escrever a redação, cujos temas costumam abordar temas contemporâneos e de impacto social. A primeira prova também aborda 45 questões de Linguagens e 45 questões de Ciências Humanas.

    Diante de uma eleição polarizada e com temas sensíveis em discussão, estudantes questionam a possibilidade de a disputa impactar a prova de alguma forma. A CNN ouviu professores, especialistas em redações, para esclarecer como e de que forma a temática pode ser abordada no conteúdo no Enem.

    Os especialistas afirmam que o exame dificilmente tratará o tema eleições de forma direta. Segundo eles, isso nunca ocorreu em outras edições da prova. Para a professora de redação do curso Descomplica, Isabel Sodré, entretanto, a dúvida ainda é “completamente pertinente”.

    “Não é um cenário por qual os alunos passem todos os anos. É interessante olhar o passado e ver como foi nos últimos anos eleitorais. Em 2018 o tema falou sobre ‘Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet’. Já em 2014, o Enem falou sobre “Publicidade infantil em questão no Brasil”, disse a professora.

    “A gente vai percebendo que nesses anos, atípicos, houve uma manutenção desse perfil de trabalhar com temas de teor social, temas que analisam a relação das estruturas da sociedade, das instituições da sociedade e como isso impacta a manutenção de direitos”, acrescentou.

    Eleições podem inspirar temas

    De acordo com o professor de redação do curso Descomplica Rafael Cunha, as eleições podem inspirar na prova do Enem a abordagem de temas ligados à política,

    “Pode falar sobre democracia, sobre discurso de ódio nas redes, fake news, sobre o poder do voto; todos esses temas e caminhos podem ser sugeridos a partir do contexto das eleições”, afirma o professor.

    “Já inspirou outro tema que falava sobre o direito ao voto e uso dessa arma, no bom sentido, para garantir as transformações sociais que o Brasil precisa. As eleições sempre podem inspirar diversas temáticas”, concluiu Cunha.

    Como se preparar

    Os especialistas afirmam que a melhor forma de se preparar para o Enem em um ano eleitoral é buscar os conceitos ligados à temática, e que podem ser utilizados na construção do texto.

    “Qual o conceito de democracia, qual o conceito de república, o que é agir de forma moral e ética no contexto das eleições, o que é cidadania. Todos esse conceitos podem direta e indiretamente serem utilizados em uma redação”, disse Rafael Cunha.

    A professora Isabel Sodré reitera que, nas construções das argumentações, os candidatos devem tomar cuidado para não construir textos partidários que façam análises políticas “nesse sentido muito inflamado, porque isso fere o conceito da argumentação como um viés de um texto mais teórico, mais científico na sua gênese”.

    Manifestação política

    Independente do tema a ser abordado na redação do Enem, mesmo que a poucos dias da eleição que define o próximo presidente e governadores, é importante ressaltar que manifestações políticas não devem ser utilizadas nas provas, segundo esclarecem os especialistas.

    “Um ano eleitoral coloca em voga muitos sentimentos à flor da pele e isso pede para quem está se preparando para essas provas que se redobre a atenção. Não construir de maneira alguma, independentemente de ser ano eleitoral ou não, um discurso partidário”, disse Isabela Sodré.

    O professor também sugere que o partidarismo seja evitado, e traz duas sugestões para os estudantes que vão realizar a prova.

    “Primeiro: não citar políticos ou partidos, não é esse o caminho do Enem. Segundo: trabalhar sempre com direitos e questões universais, como direitos humanos, direitos do indivíduo e cidadão, direitos e garantias fundamentais como aqueles que estão no artigo 5 da Constituição federal”, disse.

    “Tudo isso sempre vai ser de boa abordagem, sem necessariamente pender para um lado ou o outro do lado ideológico”, incluiu.

    A segunda prova do Enem será dia 20 de novembro, serão 45 questões de Matemática e 45 questões de Ciências da Natureza.

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