Alerta de desmatamento na Amazônia cai 70% em janeiro

O assunto é menina dos olhos do vice presidente Hamilton Mourão, que comemorou o resultado

Imagens de um acampamento de desmatamento ilegal encontrado durante as diligências de investigação
Imagens de um acampamento de desmatamento ilegal encontrado durante as diligências de investigação Foto: Divulgação/PF

Basília Rodriguesda CNN

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Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal caíram 70% em janeiro, em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O assunto é menina dos olhos do vice presidente Hamilton Mourão, que comemorou o resultado.
Nesta sexta-feira, o Ministério da Defesa atribuiu a queda no desmatamento ao trabalho técnico-científico que vem sendo feito para abastecer informações para a operação Verde Brasil.

“Integramos pessoas, sistemas, informações e conhecimento. A metodologia científica, desenvolvida de forma conjunta pelo grupo, beneficia-se da expertise de cada um dos seus integrantes, partindo de uma análise detalhada de diversas informações já disponíveis em cada órgão”, afirma o diretor-geral do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Rafael Pinto Costa, em nota divulgada à imprensa.

Para ambientalistas ouvidos pela coluna, as condições climáticas de janeiro podem interferir gerando um resultado artificial. “O período de dezembro a fevereiro em geral é sujeito muita variação de acordo com a cobertura de nuvens que impossibilita detectar o desmatamento em muitas regiões. Saberemos se o desmatamento está realmente regredindo se a tendencia se mantiver a partir de abril/maio quando se inicia o periodo mais seco”, afirma o engenheiro florestal Tasso Azevedo, da ONG MapBiomas.

 

O ambientalista Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, observou que não há como comprovar que o resultado esteja relacionado à ação militar na região. “Não deixa de ser uma boa notícia, mas não podemos comemorar pois, não há nada que indique que é fruto de uma ação do governo, vez que não existem políticas novas ou condutas efetivas que nos levem a crer que o cenário será alterado. No mais, fica a pergunta: se o governo acha que o Exército, da forma como vem trabalhando, está dando resultados, porque então anunciaram que vão acabar com a operação (GLO) na Amazônia?”, ressaltou à CNN.

A operação não tem mais recursos para continuar existindo desde de abril deste ano. Como a CNN publicou, a ideia do governo é centralizar grupamentos que normalmente já fazem a proteção da região amazônica nos 14 municípios que mais registram desmatamento.

 

Base de dados

Essa mesma base de dados já foi criticada pelo governo por não apresentar informações consolidadas. São dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que reúne indicativos incêndios e garimpo ilegal.

Em 2019, o ministro de Meio de Ambiente, Ricardo Salles, acusou o sistema de conter “distorções numéricas”.

Consolidação

A consolidação de dados sobre o desmatamento é feita por outra ferramenta, que mede o avanço do problema sempre entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, trata-se do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), também administrado pelo Inpe. O último levantamento, neste caso, indicou alta de 9,5% entre agosto de 2019 e julho de 2020.

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