Amazônia e Pantanal: seca deixa hidrovias em alerta
Rios Madeira e Tapajós registram níveis abaixo do normal; El Niño extremamente forte deve agravar a estiagem nos próximos meses, segundo o analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia
A estiagem que assola a região Norte do Brasil coloca em alerta as principais hidrovias da Amazônia, comprometendo o transporte de cargas e o abastecimento de comunidades ribeirinhas. Ao CNN Novo Dia, o analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, alerta para um agravamento do cenário nos próximos meses.
O Rio Madeira encerrou setembro com nível abaixo do nível de referência, enquanto o Rio Tapajós registra profundidade próxima de 3 metros, também inferior ao normal.
Segundo Pedro Côrtes, os dados indicam que a seca não se limita à Amazônia. "Essa estiagem da região Norte vem se estendendo também para a região Centro-Oeste, podendo atingir — e fatalmente vai atingir — o Pantanal", afirmou.
Pantanal em risco
Pedro Côrtes destacou que o Pantanal é um bioma que vem perdendo superfície hídrica há várias décadas, com redução de suas dimensões originais desde os anos 1980. Essa perda progressiva de água favorece a propagação de focos de incêndio.
"Essa falta de água vai fazendo com que o Cerrado e a interface entre o Cerrado e o bioma amazônico vão secando, favorecendo a propagação de focos de incêndio e dificultando o combate a esses focos, inclusive pela falta de água", explicou o analista.
El Niño extremamente forte
O cenário tende a se agravar com a intensificação do El Niño. De acordo com Pedro Côrtes, o ápice do fenômeno está previsto para dezembro e janeiro, quando a temperatura do Oceano Pacífico deve atingir 3,7°C acima do nível médio — o valor mais elevado desde a década de 1950, superando inclusive o El Niño de 2016.
"Um El Niño extremamente forte, que deve aumentar a seca na região Norte e também na região Centro-Oeste do país", alertou.
Ao ser questionado sobre uma possível comparação com a estiagem devastadora de 2024, Pedro Côrtes foi categórico: a situação atual ainda não atingiu aquele patamar, mas a tendência é de piora.
"Não temos ainda o mesmo nível de redução, mas a perspectiva não é positiva. A tendência é de uma redução significativa do nível dos rios ao longo dos próximos meses, o que vai dificultar sobremaneira a navegação e facilitar, infelizmente, a propagação de focos de incêndio", concluiu.


