Amazônia Legal: Alertas de desmatamento em janeiro crescem mais de 400%

Área é de 430,44 km²; dados são da plataforma Terra Brasilis, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

Giovanna Bronzeda CNN

São Paulo

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Janeiro de 2022 teve a maior área com alertas de desmatamento na Amazônia Legal para o mês desde 2016. Foram 430,44 km² no mês deste ano – 419,3% mais do que os 82,88 km2 registrados no mesmo período em 2021. Os dados são da plataforma Terra Brasilis, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram atualizados nesta sexta-feira (11).

Até então, o maior índice em janeiro foi registrado em 2020, quando o mês contabilizou 284,28 km². Já em 2016, primeiro ano que contabilizou dados de janeiro, o registrado foi de 229 km², enquanto em 2017 foi de 58 km², em 2018 de 183 km² e, em 2019, 136 km².

Em 2022, o estado da Amazônia Legal que registrou o maior desmatamento foi o Mato Grosso, com 146,52 km². Em seguida, estão Rondônia, com 116,23 km²; Pará, com 66,56 km²; Roraima com 46 km² e Amazonas com 44 km².

Ainda segundo a plataforma, dados de fevereiro com informações apenas até o quarto dia do mês já indicam desmatamento de 17,6 km².

Os dados analisados englobam as áreas dentro da região da Amazônia Legal atingidas com desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração. A ferramenta reúne alertas e monitora o desmatamento na região da Amazônia desde 2015; porém, os dados do primeiro semestre começaram a ser computados apenas a partir de 2016.

Segundo o Inpe, as taxas de desmatamento calculadas, são baseadas nas áreas de desmatamento maiores que 6.25 hectares.

Em nota enviada à CNN, o Ministério do Meio Ambiente informou que “os resultados do Deter/INPE sobre alertas de desmatamento do último semestre – agosto a janeiro, indicam uma redução 5% em comparação com mesmo período do ano anterior. Por se tratar de alertas, a avaliação mês a mês não traz uma análise estatística consistente sobre as ações, onde o melhor cenário sempre será períodos longos, que refletem com maior precisão os resultados obtidos”.

O texto diz ainda que “o governo federal atua de forma ainda mais contundente em 2022 no combate aos ilícitos ambientais, em ações coordenadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional; e com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA) – Ibama e ICMBio; e Ministério da Defesa, através do Censipam”.

A CNN também procurou a assessoria do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, mas não obteve resposta.

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