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    Ameaças na área de desaparecimento têm crescido, diz porta-voz da Univaja

    Indigenista Bruno Araújo Pereira e jornalista Dom Phillips estão desaparecidos há oito dias na região do Vale do Javari, no Amazonas

    Júlia VieiraRenata Souzada CNN

    em São Paulo

    As ameaças contra pessoas que trabalham na região de Atalaia do Norte, no Amazonas, onde o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips desapareceram, têm crescido, segundo relatou a auxiliar de coordenação da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Soraya Zaiden, em entrevista à CNN nesta segunda-feira (13).

    “A gente tem visto isso aumentar. Desde ameaças anônimas, até mesmo algumas ameaças que aconteceram com violência. No centro da cidade de Atalaia, por exemplo, nós tivemos membros da Univaja sendo confrontados por pescadores que se sentiam impedidos de continuar com as atividades ilícitas”, afirmou.

    O comunicado de desaparecimento da dupla foi feito pela Univaja na segunda-feira (6). Na ocasião, a entidade relatou que a equipe do indigenista havia sofrido ameaças na semana anterior e que estas não teriam sido as primeiras.

    “Aquela sempre foi uma região de conflitos, e a gente sabe disso, mas nesses últimos anos, a gente tem assistido a um número crescente de invasões à terra indígena”, pontuou Zaiden.

    Em uma coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira (8), o superintendente regional da Polícia Federal do Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, também afirmou que a região é “perigosa”, especialmente por questões envolvendo tráfico de drogas, exploração ilegal de madeira e garimpo.

    “As notificações foram várias, diversas e em vários períodos. Protocolamos junto ao Ministério Público, sempre seguido de relatórios com algumas comprovações, por meio de fotos, por meio de registros de toda natureza. Mas, infelizmente, nós não tivemos nenhuma medida efetiva que inibisse essa ação”, destacou a porta-voz da Univaja.

    Buscas estão caminhando para o fim, diz procurador jurídico da Univaja

    O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliesio Marubo, afirmou em transmissão ao vivo nesta segunda-feira (13) que as buscas por Bruno Araújo e Dom Phillips estão se encaminhando para o fim.

    Marubo informou que a Univaja receberá voluntários indígenas para auxiliar na operação. “Esse momento está caminhando para o final porque nosso efetivo aumentou e nós conhecemos muito bem a região, mais do que todo o efetivo policial”, disse.

    Segundo Marubo, os vestígios encontrados pela equipe da organização deram condição para a Polícia Federal localizar os pertencer e, consequentemente, limitar a área de buscas. Ele ainda alegou que não pode revelar, a pedido da polícia, qual o material genético recolhido. O procurador acrescentou que ainda não há confirmação de que o conteúdo pertença a humanos ou não.

    Em nome da Univaja, ele voltou a negar que corpos, partes de corpos ou vísceras tenham sido encontradas nesta segunda-feira (13). “Nossa equipe continua na área de busca e nosso trabalho continua incansável. Eu acredito e entendo que é possível encontrá-los com vida. Nós só vamos desacreditar quando encontrarmos um vestígio que de fato comprove ambos foram sucumbidos por uma operação criminosa na nossa região”, afirmou.