ANS investiga Prevent Senior após denúncias na CPI da Pandemia

Prazo de cinco dias úteis para que a operadora envie as informações solicitadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar termina nesta sexta-feira (24)

João de Marida CNN

Em São Paulo

Ouvir notícia

Dois processos contra a operadora Prevent Senior estão em curso na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) após denúncias na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.

Segundo a ANS, os processos contra a operadora de Saúde apuram os supostos testes em pacientes com hidroxicloroquina e a não comunicação sobre os riscos do uso dos medicamentos do chamado “kit Covid“.

A agência também apura a possível restrição, por qualquer meio, à liberdade do exercício de atividade profissional dos médicos que, segundo dossiê enviado à CPI, eram orientados a receitar as drogas.

“Já foram realizadas ligações para 100 beneficiários identificados em documentos recolhidos na operadora como pacientes que receberam o ‘kit Covid’, tal medida tem por objetivo colher subsídios para andamento da apuração”, diz a ANS em comunicado.

Segundo a agência, foi enviado um ofício para cinco prestadores médicos identificados em documentos relacionados ao “kit Covid”. Os ofícios também foram mandados a 85 profissionais que trabalham ou trabalharam no atendimento de pacientes com Covid-19.

“A ideia é notificar o maior número possível de médicos, inclusive profissionais demitidos da Prevent Senior, para verificar se houve restrição na atividade profissional dos médicos”, afirma.

No último dia 17, a ANS realizou diligências na sede da Prevent Senior e solicitou esclarecimentos sobre as supostas irregularidades apontadas na operadora.

O prazo de cinco dias úteis para que a Prevent Senior envie as informações solicitadas pela ANS termina nesta sexta-feira (24).

No comunicado, a agência ainda ressalta que aguarda retorno ao ofício enviado à CPI da Pandemia solicitando informações para ajudar nas apurações.

Prevent Senior na CPI da Pandemia

Na última quarta-feira (22), a CPI da Pandemia ouviu o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Junior. Em depoimento, ele confirmou que a Prevent Senior orientou médicos a modificarem o código de diagnóstico, conhecido como CID, da Covid-19 em pacientes após um período de internação.

Segundo o depoente, o código era mudado para “tirar o paciente do isolamento”, mas a causa da morte — neste caso, a Covid-19 — era mantida na certidão de óbito que seria enviada à Vigilância Sanitária, e contabilizada por autoridades de Saúde.

A operadora é acusada, em um dossiê entregue à comissão, de fazer testes com cloroquina no tratamento da Covid-19 e ocultar as informações dos pacientes.

Médicos que trabalham ou trabalhavam na empresa reuniram uma série de irregularidades e encaminharam ao senador Humberto Costa (PT-PE), integrante da Comissão.

Entre as denúncias, está a pressão exercida pela companhia para que fosse prescrito indiscriminadamente o “kit covid”, que é composto por cloroquina, azitromicina e ivermectina, sem eficácia comprovada contra a doença.

A empresa ainda teria assediado pacientes para que aceitassem o tratamento precoce.

Mais Recentes da CNN