Podemos estar lidando com crimes contra a vida, diz membro do MPSP sobre Prevent

Mario Sarrubbo disse que médicos que prescreveram "kit covid" podem ser responsabilizados criminalmente

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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O procurador-geral do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Mario Sarrubbo, afirmou em entrevista à CNN que a prescrição do “kit covid” pela Prevent Senior pode ser considerada crime contra a vida.

“Ao se prescrever o tratamento precoce, que reconhecidamente, no mundo todo, é visto como ineficaz, podemos estar lidando com crimes contra a vida, até homicídio. E é difícil anunciar isso, pode ter dolo eventual por parte dos profissionais que trabalham dessa forma”, disse Sarrubbo.

“Falsidade ideológica, lesões corporais e inúmeras outras infrações que podem estar sendo cometidas, como deixar de notificar ao Ministério da Saúde cuja notificação é compulsória”, continuou o procurador-geral.

O MPSP criou uma força-tarefa para investigar a Prevent Senior. Em um dossiê entregue à CPI da Pandemia, a empresa é acusada de fazer testes com cloroquina no tratamento da Covid-19 e ocultar as informações dos pacientes.

Médicos que trabalham ou trabalhavam na empresa reuniram uma série de irregularidades e encaminharam ao senador Humberto Costa (PT-PE), integrante da Comissão.

Entre as denúncias, está a pressão exercida pela companhia para que fosse prescrito indiscriminadamente cloroquina, azitromicina e ivermectina.

Segundo Sarrubo, os profissionais podem ser responsabilizados criminalmente pela prescrição dos medicamentos, que não possuem eficácia comprovada contra a doença.

“Eu não tenho dúvida [de que eles possam ser responsabilizados]. O médico é um profissional que se prepara e tem um sacerdócio de defesa da vida. Não há coação que possa ser suficiente para o médico colocar a vida do paciente em risco”, disse Sarrubbo.

A assessoria de imprensa da Prevent Senior afirmou à CNN que a empresa vai dar “todos os esclarecimentos necessários”, como foi feito na CPI, a todas as autoridades.

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