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    Apagão: ONS vê sinais de que geradores perto de linha da Chesf não tiveram “desempenho esperado”

    Operador Nacional do Sistema Elétrico afirmou que seguirá aprofundando as investigações em função da complexidade do evento

    Patrícia Vilas Boasda Reuters

    O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) disse, nesta sexta-feira (25), ter constatado em análises preliminares que parques geradores próximos à linha de transmissão Quixadá-Fortaleza II, da Chesf, subsidiária da Eletrobras, não apresentaram o “desempenho esperado” no que diz respeito ao controle de tensão no apagão de 15 de agosto.

    Uma falha registrada na linha de transmissão da Chesf foi considerada o “evento zero” do apagão nacional, que atingiu 25 Estados e o Distrito Federal.

    Segundo o ONS, a linha de investigação mais consistente aponta esse desempenho abaixo do esperado como um evento seguinte ao da linha, que desencadeou todo o processo de desligamentos seguintes.

    O operador disse ainda ter identificado que as informações passadas pelos geradores na entrada em operação das usinas após a ocorrência eram diferentes do desempenho apresentado em campo.

    Segundo o operador, não foi possível reproduzir inicialmente a perturbação ocorrida em 15 de agosto em simulações realizadas com os parâmetros enviados pelos geradores na entrada em operação das usinas (que compõem a base de dados oficial do ONS).

    “Em todos os testes realizados com esses dados não foi observada redução de tensão que viole os procedimentos de rede” como a ocorrida após o desligamento da linha de transmissão Quixadá-Fortaleza II, disse o ONS.

    Somente com as informações recebidas após a ocorrência que foi possível simular a perturbação, cujos cenários testados apresentaram “sinais de que o desempenho dos equipamentos informado pelos agentes ao ONS antes da ocorrência é diferente do desempenho apresentado em campo”, acrescentou.

    O ONS ressaltou em comunicado ser “imprescindível” que os dados encaminhados pelos geradores ao ONS reproduzam fielmente o que acontece na realidade, já que isso possibilita ao operador tomar as medidas necessárias preventivamente.

    Acrescentou ainda que permanece aprofundando as análises, “dada a complexidade do evento”.

    A próxima reunião para elaboração do Relatório de Análise de Perturbação (RAP) acontecerá em 1º de setembro.

    Veja também: Janja fala de privatização da Eletrobras durante apagão

    Com reportagem adicional de Letícia Fucuchima