PF abre inquérito para investigar se houve sabotagem em apagão elétrico no país

A pedido do governo, Polícia Federal vai investigar razões que levaram à interrupção do fornecimento de energia em todas as regiões brasileiras; investigação vai apurar se houve falha técnica ou humana

Basília Rodrigues
Macapá no escuro após apagão que afetou estado do Amapá
Macapá no escuro após apagão que afetou estado do Amapá  • Foto: Maksuel Martins/Fotoarena/Estadão Conteúdo (19.nov.2020)
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A Polícia Federal abriu inquérito nesta terça-feira (22) para investigar as causas do apagão de energia elétrica que atingiu 25 estados e o Distrito Federal, na semana passada. A investigação seguirá em sigilo e vai apurar os crimes de sabotagem e atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública.

A PF atendeu a um pedido feito pelos ministérios da Justiça e de Minas e Energia. A investigação ficará a cargo da Diretoria de Inteligência Policial da PF (DIP), em Brasília.

Vídeo: Falha que provocou apagão deve ter ocorrido por excesso de energia no sistema, dizem fontes

A partir do inquérito, a polícia poderá ouvir pessoas do setor elétrico e do governo. Uma sobrecarga em linha operacionalizada pela Eletrobras, no Ceará, foi identificada como um dos motivos para o apagão.

Entre as hipóteses, há desde a possibilidade de uma falha técnica à ação humana, incluindo a modalidade dolosa, quando há intenção de cometer o crime.

De acordo com o governo federal, o ocorrido foi "extremamente raro". A falha no Sistema Interligado Nacional foi registrada por volta de 8h30. Foi um fato que causou interrupção nas regiões Norte e Nordeste.

O apagão se espalhou pelo país devido a uma ação preventiva de proteção do sistema, em que o Operador Nacional do Sistema (ONS) minimizou a carga das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, para que não houvesse a interrupção total dessas regiões.

O apagão prejudicou cerca de 29 milhões de residências e estabelecimentos comerciais. Em alguns lugares, a falta de luz durou dez minutos, em outros, mais de seis horas.